Polícia

Número de suicídios cai 37% em 3 anos

Josefa Cunha com Hérica Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Relatório divulgado anteontem pelo Instituto Médico Legal (IML) de Bauru revela que o número de suicídios vem apresentando queda gradativa nos últimos anos na região. Entre 2001 e 2003, o índice de atentados contra a própria vida baixou cerca de 37% nos 41 municípios abrangidos pelo órgão, que também levantou os registros de homicídios, atropelamentos, acidentes de trânsito, entre outros, referentes aos últimos quatro anos.

Em 2000, o IML procedeu necrópsias em 32 suicidas; em 2001, foram 35; em 2002, 29, e no ano recém-terminado, 22. Desses, oito ocorreram por enforcamento, quatro por arma de fogo e os outros dez por procedimentos diversos. O médico legista Ivan Segura, diretor do IML Bauru, afirma que mais da metade dos casos de 2003 foram registrados em Bauru.

Apesar do indicativo estatístico, não se tem um estudo que explique os motivos dessa redução. “Podemos até fazer algumas considerações, como imaginar que mais pessoas com potencial suicida passaram a buscar tratamento médico-psicológico, mas isso não passa de uma possibilidade sem comprovação científica”, pondera a psicoterapeuta Eglê Allegro.

Os números do IML, aliás, vão na contramão de dados levantados em sites da Internet que abordam o tema. Pelo menos três deles – valendo lembrar que não são informações de órgãos oficiais – apontam que os casos de suicídio vêm crescendo de 1998 para cá, sem levar em conta os registros de tentativas e os casos de suicídio efetivo que entram para as estatísticas como acidentes.

Entre a véspera e o primeiro dia do ano em Bauru, três tentativas de suicídio chegaram ao plantão policial. Dois dos casos ocorreram nas casas das próprias vítimas e o terceiro, no viaduto da 13 de Maio, de onde um homem pulou.

Na imensa maioria dos casos, a vítima do suicídio sofre de algum tipo de depressão severa agravada por fatores desencadeantes como desemprego, problemas no relacionamento conjugal, dificuldades financeiras e luto.

Segundo Eglê Allegro, essas são condições propícias para o suicídio quando, obviamente, a pessoa não se submete a tratamento ou o faz inadequadamente ou, ainda, quando resiste a fazê-lo.

“O tratamento médico-psiquiátrico com medicação é fundamental. A psicoterapia também deve estar no pacote, porque é ela, muitas vezes, que leva o paciente a aceitar a ajuda. Eu costumo comparar esse tipo de tratamento com o realizado contra o alcoolismo, que exige, antes de qualquer coisa, que a pessoa assuma ser portadora da doença. Isso é meio caminho andado. Não é negando e encobrindo a coisa que se chega à cura”, avalia, lembrando também que o fator pré-disposição tem de ser levado em conta.

A genética também deve ser considerada em casos de suicídio. “Eu tenho uma paciente com depressão grave que tem sete filhos, cinco dos quais sofrem da doença”, conta.

Apesar de a estatística do IML não especificar sexo, idade nem condição social, sabe-se que o suicídio permeia todos os estratos da sociedade, muito embora as camadas menos favorecidas convivam mais com os tais fatores desencadeantes.

“Seria totalmente compreensível se os índices vitimassem mais pessoas pobres, uma vez que elas estão à margem dos tratamentos necessários e muito próximas do desemprego, da estabilidade financeira, do preconceito e da baixa estima. Mesmo assim, preciso dizer que pessoas mais simples costumam responder com mais facilidade a tratamentos psicológicos”, salienta.

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