A ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, sobre o rio Bauru, completa amanhã um ano interditada. Com rachaduras surgidas em sua estrutura apenas dois anos após ser inaugurada, a reforma da ponte já consumiu mais de R$ 120 mil da Prefeitura de Bauru, que depois de cancelar uma licitação para terceirizar o serviço decidiu concluir a obra por conta própria.
A nova previsão de liberação da ponte para o trânsito é maio, segundo o secretário municipal de Obras, Jorge Monteiro. “Estamos com 90% do estudo sobre todo material que vamos precisar e já está definido que a obra será tocada com equipes da prefeitura. Devemos iniciar a obra até o final do mês”, diz.
A estimativa é demorar 120 dias para finalizar a primeira etapa e executar as outras duas que faltam na reforma - construir blocos e reconstruir os aterros das cabeceiras e refazer o asfalto - para finalmente liberar a ponte ao trânsito. Parte da primeira etapa, de instalação de estacas, foi feita por uma empresa contratada pela prefeitura.
A prefeitura chegou a abrir licitação para um aditivo ao contrato, mas em dezembro acabou cancelando o processo em função da elevação do custo do serviço, de R$ 127 mil para R$ 220 mil, e suas implicações jurídicas.
A Secretaria de Obras tem condições de terminar a reforma, mas terá que alugar equipamentos, diz Monteiro. “Vamos precisar, além de materiais, de equipamentos para perfurar os blocos que serão feitos sobre as estacas”, diz.
Sem a ponte, que encurtava em vários quilômetros o trajeto entre o Mary Dota e o Distrito Industrial, a alternativa de ligação entre as duas regiões é a avenida Rodrigues Alves. Quem está na região do Mary Dota e quer ir para a região do Distrito Industrial ou Jardim Redentor tem que passar pela rotatória do Mary Dota, trevo da Vila Santa Luzia para chegar à avenida Rodrigues Alves.
O trajeto em sentido inverso deve ser feito por quem está na região do Distrito Industrial e quiser chegar ao Núcleo Mary Dota. A dona de casa Maria José Garcia Moreira, que mora no Jardim Mendonça, conta que deixou de ir ao mercado no Jardim Redentor por causa da interdição da ponte. “Não adianta nada pegar promoção nas compras e gastar mais com combustível”, diz ela referindo-se ao trajeto maior.
Apesar da interdição estar completando um ano, Maria José afirma que os usuários não acostumaram-se com a medida. “Todos estão revoltados com essa demora. Acho que agora só vão terminar a reforma na época da eleição”, especula.
Waldir Caso, membro do Conselho de Segurança Comunitário Leste (Conseg), afirma que além do transtorno aos usuários, a interdição tem causado prejuízo às empresas localizadas próximas da ponte. “Como não passa mais carro, o movimento caiu muito”, frisa. Ele acredita que os moradores já estão cansados de reclamar, mas não deixaram de sentir falta da ponte. Sobre o prazo para a finalização da reforma, Caso diz que tem dúvidas sobre a estimativa da Secretaria de Obras. “Já foram tantos prazos que agora a gente só acredita quando a ponte estiver liberada”, completa.