Economia & Negócios

Papel eleva preço do material escolar

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Os pais que estão se preparando para comprar o material escolar dos filhos para este ano letivo deverão encontrar produtos com preços até 15% maiores do que no início de 2003. Nas papelarias consultadas pelo JC em Bauru, a principal responsável pelas altas é a celulose, matéria base para a fabricação de papel.

“A alta no papel não ocorreu de uma só vez, mas ao longo de todo o ano passado. No final, o papel fez com que a linha de cadernos, folhas de fichários e sulfite aumentasse cerca de 15%”, afirma a gerente de compras Fernanda Rodrigues de Almeida, de uma rede de papelarias de Bauru. Segundo ela, a “culpa” é do dólar, que iniciou 2003 com cotação em alta.

“O dólar caiu, mas grande parte dos preços se manteve”, diz. De acordo com Fernanda, os produtos plásticos - e isso inclui a embalagem de quase todos os itens - sofreram um pequeno aumento por conta da alta na cotação do petróleo, também ocorrida ao longo de 2003. “São produtos como caneta, estojo, mas o repasse foi pequeno, no máximo de 10%”, afirma.

Na opinião de Fernanda, porém, o custo total da lista não deve assustar os pais, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando muitos itens foram reajustados a índices superiores a 20% em menos de um mês. “Havia aquela insegurança com o novo governo, o dólar estava muito instável. Teve fornecedor que me vendeu em dezembro e, quando eu recebi a mercadoria em janeiro, o aumento havia sido maior do que 20%”, recorda.

Segundo a proprietária de outra papelaria da cidade, Karina Rufino Camargo, o papel foi mesmo o grande vilão do ano, mas houve também a contrapartida por conta de outras linhas. “Alguns itens até baixaram, como a cola, o lápis comum. Já com o papel não teve saída: ao longo do ano passado foram, pelo menos, quatro aumentos”, diz.

De acordo com Karina, um caderno universitário, por exemplo, que custava entre R$ 7,00 e R$ 8,00 no início de 2003, agora não sai por menos de R$ 10,00. Ela conta também que materiais da linha de pintura sofreram altas. “Mas neste caso nós decidimos não repassar e reduzimos a margem de faturamento”, afirma.

Sabendo das dificuldades no orçamento doméstico no mês de janeiro, quando vencem o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Karina declara que a loja resolveu antecipar as vendas de material escolar para este ano letivo em dezembro, com início de pagamento apenas para fevereiro. “O resultado da antecipação foi bastante positivo, o movimento foi bem grande”, diz.

De acordo com Valmir Alcielli, também proprietário de uma papelaria na cidade, o reajuste na linha de papéis foi menor. “Por conta do dólar o papel aumentou, mas depois o preço acabou baixando. Houve uma alta de 5%”, aponta. Segundo ele, o repasse dos fornecedores por conta da moeda norte-americana atingiu principalmente produtos importados, como mochilas e estojos.

Diversidade

Para Alcielli, o lado positivo do setor neste início de ano é a variedade de opções que a indústria oferece aos consumidores. “Tem para todos os gostos e bolsos, depende do produto. Um caderno de uma matéria, por exemplo, pode variar de R$ 1,50 a R$ 17,00”, observa.

Ainda de acordo com Karina Camargo, a diversidade de produtos contribui para adequar a lista de material escolar ao orçamento dos pais - que ainda precisam pensar em uniforme, transporte e, no caso das escolas particulares, matrícula. “Muitos pais anteciparam a compra de mochilas, por exemplo, que serviu como um presente de Natal”, afirma.

Segundo Karina, as mochilas “top de linha”, com estampas disputadas pelas crianças como a da clássica Cinderela, custam em torno de R$ 90,00 a R$ 100,00. Mochilas médias, como a que traz os simpáticos personagens do desenho animado Procurando Nemo, saem ao redor de R$ 70,00. “O mesmo vale para a linha de cadernos e fichários: há muitas capas e muitos preços diferentes”, diz.

A gerente de compras Fernanda observa que a indústria também está oferecendo ao mercado alternativas mais baratas, como o lápis de cor de duas pontas - uma de cada cor. Com isso, diz ela, é possível reduzir em cerca de 40% o custo desse item. Uma caixa de 24 lápis de cor da marca “top” custa R$ 12,80. A de 12 que se transformam em 24, da mesma marca, sai por R$ 7,30. “É uma opção criativa e de qualidade para economizar”, afirma.

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