Polícia

Mortes no trânsito caem 47% em 2003

Rita de Cássia Cornélio e Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Durante todo o ano de 2003 foram registradas 18 mortes no trânsito urbano de Bauru. O número, embora ainda alto, representa uma redução de 47%, em comparação com o ano anterior, quando 33 pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito na cidade. As estatísticas da Polícia Militar revelam que é preciso conscientizar os pedestres, ciclistas e motociclistas, as principais vítimas dos acidentes.

O comandante da Base Comunitária de Trânsito, tenente Jorge Luís Dias, diz que a situação é tão preocupante que hoje será realizada uma reunião para decidir a estratégia da nova campanha que será desencadeada na cidade. “Elegemos os pedestres, ciclistas e motociclistas como público-alvo”, conta.

Para Waldomiro Fantini Júnior, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), as campanhas de educação e prevenção devem focar o pedestre, ciclista e motociclista porque são os mais vulneráveis em caso de acidentes envolvendo carros. “Em caso de acidente com um carro, sempre o pedestre, o ciclista e o motociclista tendem a levar a pior. A conseqüência sempre é mais séria do que para quem está no carro”, diz.

A proposta, de acordo com Fantini Júnior, é realizar uma campanha prolongada, semelhante à desenvolvida em 2003 denominada “Viva bem andando bem”, que focou o ciclista e o motociclista. Ele ressalta que a instalação do semáforo para pedestres na área central e do semáforo de botoeira, na avenida Nações Unidas, já atende essa preocupação. “Agora serão fechados os vãos do canteiro central da Rodrigues Alves, também para evitar atropelamentos”, diz.

O presidente da Emdurb acredita que a mudança de postura no trânsito, desde o pedestre até o condutor, depende de educação. “Por isso investimos em campanhas com a Polícia Militar e a Emdurb distribui mais de 20 mil livros didáticos sobre trânsito nas escolas municipais, para que as crianças levem o material para casa e cobre uma postura dos pais”, relata.

Concorda com ele Eron Veríssimo Gimenes, delegado de polícia, professor e um dos autores do recém-lançado livro “Infrações de Trânsito Comentadas”. É preciso, diz Gimenes, investir maciçamente em educação no trânsito, principalmente para crianças. “Como é mais difícil conscientizar o adulto, o principal foco tem que ser as crianças. Elas serão os motoristas do futuro e têm um poder de crítica muito grande, passando a cobrar condutas corretas dos pais”, diz.

Gimenes ressalta que os pedestres e ciclistas, muitas vezes, deixam de obedecer normas básicas de segurança no trânsito, como atravessar a rua somente quando o semáforo estiver compatível e usar a faixa de pedestre. “O que ocorre é que até algum tempo o pedestre não era o foco na prevenção de acidentes. Mas o Código de Trânsito Brasileiro mudou isso ao prever que o trânsito em condições seguras é direito de todos”, diz.

Na avaliação do tenente Jorge Luís, os condutores melhoraram o comportamento ao volante. “Mais de 90% deles usam o cinto de segurança”, Ele lembra que, pelas estatísticas, só um motorista morreu no trânsito de Bauru no ano passado. “Morreram três passageiros, quatro motociclistas, quatro pedestres e seis ciclistas. Na Inglaterra, onde se registra o menor número de óbitos no trânsito, há seis mortes para cada 100 mil habitantes. Bauru está com uma população aproximada de 300 mil e tivemos 18 mortes, portanto estamos na média mundial”, finaliza.

Mas a Companhia de Trânsito ainda quer ampliar o uso do cinto de segurança no banco traseiro, que é obrigatório. “Assim como trabalhamos para reduzir o uso do aparelho celular ao volante e a ingestão de bebidas alcoólicas por condutores”, completa.

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