Bairros

Hospital Estadual vai captar córneas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo está se preparando para captar córnea para transplante. Hoje, oito funcionários da unidade entre enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, iniciam um curso de capacitação, em São Paulo, para retirada do tecido ocular e abordagem dos familiares das pessoas mortas no hospital e que possam ser doadoras.

Atualmente, em Bauru, já estão capacitados para captar córneas os hospitais de Base e da Beneficência Portuguesa, segundo a médica Amélia Trindade, que é coordenadora da Organização de Procura de Órgãos, ligada à Secretaria do Estado da Saúde. “Mas essa captação ainda é esporádica. Agora, o Hospital Estadual está tentando tornar isso uma rotina”, diz.

A proposta, segundo ela, é que no futuro o HE também possa captar outros órgãos, além da córnea. “A captação da córnea é simples. Pode ser feita até seis horas após a parada cardíaca e não precisa ser em hospital. Exige apenas equipe treinada”, conta.

As córneas coletadas pelo HE vão para uma Central de Captação de Órgãos, em Ribeirão Preto, que administra a fila de pessoas à espera do transplante no Interior do Estado, de acordo com a médica. Ela explica que não há levantamentos de quantas pessoas da fila são de Bauru e região. Porém ressalta que em todo Brasil existem 56 mil pessoas aguardando transplante, das quais 25 mil esperam córnea.

O transplante é indicado para portadores de ceratoconi, ceratopatia bolhosa e infecção ou trauma da córnea em função de acidentes. Para esses casos, não há tratamento e os pacientes ficam cegos se não fizerem o transplante. A boa notícia é que a cegueira, nesses casos, é reversível com o transplante, segundo Trindade.

Em Bauru, há equipes dos hospitais de Base e da Beneficência Portuguesa capacitadas para fazer o transplante, de acordo com a médica. As córneas doadas na cidade seguirão para a central de captação do órgão que vai, conforme a ordem de espera, convocar os pacientes para recebê-las.

Além de enfermeiros, o curso que está sendo oferecido pela Secretaria de Estado da Saúde também treina enfermeiros e psicólogos porque para retirar a córnea é preciso autorização por escrito dos parentes da pessoa morta. Elaine Cristina Marchis, assistente social do HE, explica que, por isso, a abordagem dos parentes é fundamental no processo.

Ela orienta as pessoas que têm intenção de doar as córneas a comentar sobre o desejo com seus familiares, para que após a morte o processo torne-se mais ágil. “Não é preciso deixar nada escrito, apenas informar seus familiares que você quer doar as córneas. Não há limite de idade para doação”, diz.

A Secretaria de Estado da Saúde informou, através de sua assessoria de imprensa, que pretende aumentar em 63% a quantidade de transplantes de córnea no Estado. Vão participar do curso, com duração de dois meses, funcionários de 15 hospitais estaduais.

Em março, os hospitais já estarão com equipe capacitada e a previsão é captar 2 mil córneas a mais neste ano. No ano passado foram realizados 3.181 transplantes do órgão, 17,5% a mais que em 2002, de acordo com a Secretaria de Saúde. “Esse número pode ser alcançado, mas depende de ajuda da população, que precisa concordar com a doação”, diz, através da assessoria, o coordenador da Central de Transplantes do Estado, Luiz Augusto Pereira.

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