Bairros

AHB tem mais de R$ 300 mil para receber do SUS

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que mantém os hospitais de Base, Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel, tem mais de R$ 300 mil atrasados para receber do Ministério da Saúde. Parte do dinheiro deveria ser repassado à associação há quase um mês, segundo José Cardoso Neto, administrador da AHB.

Ele afirma que, por enquanto, o atendimento dos pacientes e o pagamento dos funcionários não estão comprometidos, mas a AHB terá dificuldades em pagar fornecedores se pelo menos parte da verba não for repassada logo. “Hoje (ontem) tivemos uma informação de que os R$ 200 mil do “Integra SUS”, pagos todo mês à AHB a título de ajuda de custo, devem sair na quarta-feira”, diz.

Além da parcela de dezembro do “Integra SUS”, até ontem à tarde a AHB não havia recebido o repasse de verba pelas diálises realizadas em novembro no Hospital de Base. De acordo com Cardoso Neto, o atraso já é quase de um mês. “O Setor de Hemodiálise atende 105 pacientes, dos quais 96% são do SUS, o que dá entre R$ 120 mil e R$ 150 mil por mês”, conta.

Cardoso Neto diz que o atraso está preocupando a direção da AHB, principalmente porque o Ministério da Saúde estaria propondo mudar a forma de pagar os serviços de diálise. “O SUS demora cerca de 60 dias para pagar pelos serviços realizados. Mas por alguns deles, como a hemodiálise, pagava-se mais rapidamente, em 25 dias. Nós até já ligamos para Brasília, mas não fomos informados sobre o que está acontecendo”, conta.

Para o administrador da AHB, o serviço de hemodiálise do Hospital de Base passará por uma série crise se houver alteração na forma de pagamento. “Se estenderem o prazo para pagamento para 60 dias ou mais será o caos”, alerta. Porém, garante que o serviço não deixará de ser oferecido. “Se não liberarem o pagamento, teremos que buscar outra alternativa”, diz.

O presidente da Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (Abrec), Nélson Rosa, soube do atraso no pagamento das diálises pela reportagem. Mesmo sem ter sido procurado por renais crônicos que fazem hemodiálise no Hospital de Base para discutir o assunto, ele diz que a situação prepocupa.

“Todos nós sabemos que o Setor de Hemodiálise trabalha no limite, não tem dinheiro em caixa. Se atrasa o repasse, como o hospital vai pagar os fornecedores?”, questiona. Para Rosa, se a verba não for liberada logo, os pacientes, que no ano passado tiveram que deslocar-se para outras cidades para fazer diálise em função da interdição do serviço no Hospital de Base, terão que fazer pressão política.

____________________

Hemodiálise

Entre outubro e novembro do ano passado, o Setor de Hemodiálise do Hospital de Base ficou interditado 41 dias por problemas com a água utilizada no processo. Vários pacientes sofreram calafrios e mal-estar ao fazer a diálise. Todos os atendidos, mais de 100, foram transferidos para hospitais da região.

Análises mostraram a presença de bactérias na água. O Hospital de Base trocou toda a tubulação do sistema de diálise e o serviço foi retomado após nova discussão das normas e procedimentos de segurança com o centro de Vigilância Sanitária e Epidemiológica da Secretaria do Estado da Saúde.

Comentários

Comentários