É comum os “habitats” de todos os tipos se verem agitados por desinteligências entre os seus diversos ocupantes. São marido e mulher, pais e filhos, chefes e subordinados de repartições, que nos lares, escolas, lojas, fábricas, associações recreativas e associativas e outros locais de atividades ou de encontros nem sempre logram viver sem quaisquer desentendimentos. Normalmente, porém, conseguem encontrar soluções, além de pacíficas, condizentes com os respectivos ideais, através do diálogo descontraído, que acaba suscitando a necessária acomodação dos interesses em jogo, para o que concorrem simultaneamente os atos, os gestos e as expressões harmônicas, os quais veiculam o pensar e o sentir dos litigantes.
Debita-se à conversa calma, educada e sincera o encontro espiritual e vocal dos seres humanos, considerando que é ele, segundo os especialistas, o comboio veloz da socialização das pessoas, como agente inconteste que é de comunicação, orientação e ajustamento, tanto assim que afasta a possibilidade de ruptura de amizades, porquanto consegue afugentar os fantasmas com os quais as opiniões divergentes possam atormentar o pensamento de jovens, adultos e idosos de ambos os sexos.
Considera-se, por isso, o uso da linguagem, expressa em palavras corretas e em tonalidade suave e amistosa, um emérito extintor dos incêndios que atentem contra a solidariedade de parentes e amigos, concordando-se ser ele o meio através do qual uns e outros se entendam harmonicamente, ainda que não seja o único. Daí, ser a troca de idéias imprescindível nos pontos de contato, uma vez que contribui para que todos se socializem, educando seu comportamento pessoal. Vale opinar-se que, quando as águas dos oceanos se mostram serenas e pacíficas não exigem que os navegantes se ponham a molestá-las na tentativa de discipliná-las. Por que disciplinar algo que já se revela disciplinado e enseja concórdias onde reinam tantos desacordos: no trabalho, no qual os complexos fazem colegas se excluirem; na escola, onde as situações se defrontam, e na sociedade em que os posicionamentos mais importantes são avaramente aspirados por todos?
Na verdade, possui o diálogo clássico a importância que nem todos lhe dão por não atentarem para o fato de que é conversando que se entende. Há 40 anos, quando nossos sociólogos começavam a bater-se mais pela prevalência dos diálogos conjugais, a voz envolvente de Dalva de Oliveira advogava: “Bandeira branca, amor/ Não posso mais.../ Pela saudade, que me invade, eu peço paz!” Nada a acrescentar.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.