Bairros

Chuvas agravam erosões em Bauru

Ronaldo Schiavone (colaborou Ieda Rodrigues)
| Tempo de leitura: 4 min

O início da temporada de chuvas já começa a agravar o problema das erosões em Bauru. A constatação é do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. “A tendência, nesse período, é que boa parte delas aumentem”, alerta. No Mutirão Primavera, por exemplo, o buraco está se aproximando de algumas residências, deixando os moradores preocupados.

O escriturário Marcos Rafael de Carvalho, que mora em frente à erosão, afirma que ela está a cerca de seis metros do muro da sua residência. “A situação piorou quando começaram as chuvas”, relata. Ontem à tarde, funcionários da prefeitura estiveram no local para verificar a gravidade da situação.

Segundo ele, o buraco começou a ser formado há três anos. “Teve uma época em que a casa quase foi interditada, porque a erosão chegou a um metro do meu muro. A Defesa Civil esteve aqui e a prefeitura tapou o buraco, só que o serviço não foi feito por inteiro e, com a chuva, o problema retornou”, diz.

O coordenador da Defesa Civil afirma que um trabalho de contenção está sendo feito na área afetada. “A prefeitura está recuperando o local e foi jogado entulho para segurar o avanço da abertura, mas enquanto não se fizer uma tubulação de grande diâmetro ali, não vai resolver”, comenta.

O psicólogo Luiz Fernando Fratini, que mora na quadra 4 da rua Luiz Ferrari, no Parque das Nações, reclama que não está conseguindo guardar o seu carro na garagem por causa de um buraco em frente sua casa, em uma via de terra. “Tenho que fazer a maior ginástica para entrar com o carro na garagem, com risco de bater”, conta.

Ele relata que desde o dia 23 está solicitando à prefeitura providências. “Liguei primeiro para a Regional Independência e depois para a Sear (Secretaria das Administrações Regionais) e para o DAE (Departamento de Água e Esgoto). Todos dizem que vêm arrumar, mas ninguém aparece. Como o buraco já está causando um problema social, liguei também para a Secretaria do Bem-Estar Social”, completa.

Fratini conta que para desviar do buraco na rua, os veículos, inclusive ônibus circular, passam muito próximo ao muro de sua casa. “Já está colocando o meu muro em risco”, diz. Para ele, a solução é pavimentar a rua já que a quadra 4 é a única ainda de terra. Mas, emergencialmente, sugere que a prefeitura jogue entulho e terra no buraco.

Apesar das críticas, o secretário municipal de Obras, Jorge Monteiro, afirma que a prefeitura tem procurado atender às reclamações o mais rapidamente possível. “Estamos fazendo uma operação conjunta com outras secretárias, DAE (Departamento de Água e Esgoto) e Emdurb (Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) para tentar agilizar as operações”, diz.

Lixo

Brito acredita que a situação das erosões poderia ser menos crítica se parte da população fosse mais consciente. “O problema é que muitos moradores jogam lixo nesses lugares, o que é um agravante. Antes de qualquer tentativa de recuperar a erosão, é preciso retirar toda essa sujeira”, diz.

Esse fato pode ser constatado, por exemplo, na erosão da Pousada da Esperança, onde a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) autoriza o depósito de entulho como forma de preencher a grande cratera que existe no local. “O problema é que vem muito lixo misturado com entulho”, reclama a moradora Eleni de Oliveira Pires.

Segundo ela, o acúmulo de lixo orgânico acaba provocando a proliferação de insetos. “A minha casa é invadida por mosquitos e pernilongos. Isso sem contar os ratos”, afirma.

O secretário municipal do Meio Ambiente, Luís Pires, contesta a presença de material orgânico nas caçambas que trazem o entulho. “Temos dois funcionários responsáveis por essa fiscalização. O que ocorre, às vezes, é que os próprios moradores jogam lixo no local”, rebate.

Ele explica que a prefeitura está abrindo um processo de licitação com o objetivo de contratar uma esteira para empurrar em direção à parte mais profunda do buraco o material que é jogado no local. “Iremos contratar 400 horas de serviço, o suficiente para durar até dezembro. Além disso, 90% da erosão da Pousada da Esperança já foi aterrada”, calcula.

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Galerias

O secretário municipal de Obras, Jorge Monteiro, confirmou ontem que os trabalhos de implantação de galerias pluviais na Pousada da Esperança 1 terão início no dia 12.

A assinatura e entrega da ordem de serviço para a empresa responsável pelas obras será feita hoje, às 14h30, no Palácio das Cerejeiras.

O custo do serviço é de R$ 438.205,92. O contrato prevê que as obras estejam concluídas em 120 dias.

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