Tribuna do Leitor

"Mesmo quando não houver saída... haverá solução!"


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Duas matérias inseridas no Jornal da Cidade de 4 de janeiro deste ano “Um perfil de Lula para 2004”, do jornalista e professor da USP, Gaudêncio Torquato (página 2) e “O programa Fome Zero”, da Dra. Maria da Glória de Rosa, professora da Unesp-Marília (Tribuna do Leitor), chamaram nossa atenção.

Como ambas apresentam viés sócio-político, buscaremos analogia com um trabalho do pensador Will Durant: “A História Universal é como uma imensa planície, cortada ao meio por um grande rio. A planície, por natureza, é plácida e tranqüila. Mas o mesmo não se pode atribuir ao seu rio... Não se trata de um rio comum.... Suas águas são turbulentas, sujas, turvadas por sangue. O seu curso é sinuoso, traiçoeiro e perigoso. E a tragédia está à espreita em cada uma de suas curvas... As pessoas comuns não se atrevem a nele banhar-se. Aquele rio, todos o sabem, é a morada dos semi-deuses: são tiranos, heróis e conquistadores; gente muito estranha, enfim... Gente que flagela e escraviza, em nome da liberdade; combate e massacra, em nome da paz e da fraternidade; que mata ou que morre, à procura da imortalidade. Enquanto isso, na vastidão da planície, milhões e milhões de homens comuns vão levando, satisfeitos, suas medíocres e anônimas vidas. Não buscam poder, notoriedade ou glória. Trabalham de sol a sol, fertilizando o solo com seus arados; e tudo o que almejam é mais conforto e prosperidade para si e para os seus. Foi na interpretação desta paisagem que todos os historiadores, desastradamente, se equivocaram. Ao narrar a história dos homens, deixaram-se aficcionar pelas sagas do rio... Enquanto a civilização, na verdade, brotava na planície. Sem enredos dramáticos, sem heróis carismáticos, ela se fez espontaneamente. Através do mercado interativo dos homens; pela troca de idéias, produtos e experiências; no exercício do qual se beneficiaram todos, dos talentos e habilidades peculiares a cada um...”

O pensamento de Durant tem muito a ver com os pensadores Demóstenes e Cícero (citados pelo Dr. Gaudêncio) e Peter F. Drucker (citado pela Dra. Maria da Glória) e se aplica aos percalços enfrentados pelas autoridades políticas. Como na visão de Durant, nos enxergamos como homens comuns: nossas vidas, nossas lutas, nossos sonhos se pautam todos nos valores e condutas da “planície”. A sociedade da “planície” há que ser governada, tão somente, pelos homens da “planície”. Nesta situação de hipocrisia em que se transformou a política nacional, urge que alguém vá ao povo dizer-lhe somente a verdade.

Como alento, diremos que há um século e meio, nos Estados Unidos, um sensato médico da região do Mississipi dizia ao jovem Tocqueville (posteriormente, escritor de “A Democracia na América”): “A democracia e a eleição popular levam freqüentemente ao poder demagogos. Mas eles são muitos, combatem entre si e, para se fortalecerem, precisam atender aos anseios do povo que os elege. A conseqüência é que acabamos, de modo geral, sendo bem governados.”

Tito Pereira - CRO/DF-546

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