O professor de educação física Durval Moreira Júnior, 32 anos, saiu de Cuiabá (MT) no dia 4 de dezembro em direção ao Rio de Janeiro, mas ainda não chegou ao destino. É que ele está fazendo a viagem a pé. Ontem, cerca de 1.300 quilômetros depois, ele chegou a Bauru, onde moram muitos de seus familiares. Ainda faltam 900 quilômetros até a Cidade Maravilhosa, onde pretende chegar no próximo dia 30.
Com a aventura, Durval pretende levantar a bandeira de objetivos nobres, como a denúncia sobre a prostituição infantil nas estradas, e inusitados, caso do protesto contra a fórmula de pontos corridos do Campeonato Brasileiro. O professor também está fazendo centenas de fotos sobre a situação precária das rodovias no interior do País, está ministrando palestras para comunidades carentes e começou a escrever um livro de auto-ajuda, já intitulado “Determinação: Só Você é Responsável pela sua Vida”.
Nas estradas do sertão e nas conversas com caminhoneiros, Durval descobriu muita coisa sobre a exploração sexual infantil, como meninas de 10 anos que cobram de R$ 5,00 a R$ 10,00 por um programa. “Eu procuro fazer um alerta às mídias locais sobre a rede de prostituição infantil existente nas rodovias, justamente pela pouca fiscalização que existe”, afirma. E completa: “Quanto maior a dificuldade financeira, maior a prostituição”.
O mesmo vale para os perigos das rodovias, reveladas através de suas fotografias. “Eu vi uma família inteira embarcar numa van, entrar numa serra e não sair viva do outro lado”, conta. No Rio, Durval, que também dá aulas de futebol, pretende falar com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. “A grande maioria da população é contra o sistema de pontos corridos”, declara.
No caminho, é acompanhado pelo motorista Jacques Dias Barbosa, 60 anos, taxista de Bandeirantes (MS), que dirige o carro de apoio, com muita água e barras de cereais para enfrentar a média de 50 quilômetros diários de caminhada. “Já cheguei a andar 63 quilômetros em um só dia”, diz. Os números de Durval impressionam: perda de 6 mil calorias diárias e ingestão de até 15 litros de líquido por dia.
O professor estima que sua aventura deverá custar cerca de R$ 15 mil, bancados por um patrocinador de Cuiabá, Drebor Borracahas. Em São Paulo, apesar da incomparável qualidade das estradas com o MT e o MS, Durval leva uma queixa: os pedágios. “Eu esqueci de incluí-los nas contas. Cada um é um susto”, brinca.