O câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru poderá implantar, a partir do próximo ano, o curso de meteorologia. A proposta, encaminhada pelo Departamento de Física da instituição, com apoio do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), já foi aprovada pela Congregação da Faculdade de Ciências e aguarda, agora, sinal verde da Reitoria e do Conselho Universitário.
Segundo o coordenador do curso de física da Unesp, professor Renato Carlos Tonin Ghiotto, a resposta definitiva será dada até maio. “Depois disso, começa a confecção do manual do vestibular”, justifica.
Se aprovado, o curso oferecerá 20 vagas e terá duração de quatro anos. “Nos dois primeiros anos, ele será noturno. No dois últimos, nossa intenção é que ele seja nos períodos da tarde e noite”, declara Ghiotto.
Ele explica como funcionará a parceria com o IPMet. “A responsabilidade legal pelo curso é do Departamento de Física, mas o IPMet, que tem um corpo de pesquisadores qualificados e um laboratório praticamente pronto para a formação de estudantes, irá conduzir a parte específica do curso. A parte básica, nos dois primeiros anos, será dada pelos departamentos de física e matemática”, diz.
Ghiotto afirma que a aprovação do novo curso será a realização de um antigo desejo. “Ele vem desde o tempo em que a instituição era particular e, por uma série de razões, acabou não se concretizando. Recentemente, quando a nova direção assumiu o IPMet, tivemos um diálogo e o instituto se mostrou interessado. Em um prazo de 20 dias, ficou tudo decidido”, recorda.
O diretor do IPMet, Roberto Vicente Calheiros, explica os motivos que levaram o instituto a integrar a iniciativa. “Nós participamos da confecção do projeto e apoiaremos o curso, porque ele irá formar pessoal especializado para atender uma necessidade essencial da sociedade, que é a previsão do estado do tempo e do clima”, justifica.
Ele conta que a elaboração da proposta contou até com ajuda externa. “Trouxemos um especialista do Cepetec (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) para trabalhar junto conosco”, revela.
Carência
Para Calheiros, a carência de profissionais no mercado justifica a implantação de um curso de meteorologia em Bauru. “Encontramos muitas dificuldades para fazer contratações e, além disso, sempre temos que fazer substituições de pessoal. Nos tempos mais recentes, não apareceram muitos candidatos. Do pessoal que está realmente interessado em trabalhar na área, poucos são formados”, analisa.
O diretor da Faculdade de Ciências da Unesp, José Brás Barreto de Oliveira, lembra que nenhum câmpus da instituição oferece o curso. “Passaremos a ter uma massa crítica maior nessa área por conta dos alunos que serão formados”, opina.
Ele revela que a instituição também está tentando a implantação de um curso de bachalerado em física. “Hoje, temos apenas o de licenciatura. Como a pós-graduação em tecnologia de materiais, mestrado e doutorado, foram aprovados recentemente, estamos propondo que haja o bacharelado para que tenhamos uma clientela apta a participar desse curso”, explica.
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Histórico
O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), que servirá de suporte para o curso de meteorologia da Unesp, caso ele seja implantado, surgiu em 1969, quando a então Fundação Educacional de Bauru (FEB) criou o seu instituto de pesquisas.
Em 1972, o IPMet passou a receber a denominação atual e firmou um convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) para adquirir equipamentos de pesquisa.
Um novo convênio, desta vez com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em 1974, permitiu a instalação de um radar meteorológico banda-C, pioneiro no País na época.
Atualmente, o IPMet opera simultaneamente com dois radares banda-S, um instalado em Bauru e o outro em Presidente Prudente, responsáveis pelo monitoramento completo das chuvas nos estados de São Paulo e Paraná, além de regiões de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.