A indústria de massas alimentícias frescas Frescarini, que atuava em Bauru há mais de 15 anos, encerrou oficialmente suas atividades ontem, com a demissão de 184 funcionários e a surpresa dos setores industrial e político do município. A empresa, do grupo multinacional General Mills e que era a quarta maior produtora de gêneros alimentícios da cidade, vai transferir a produção para outra unidade do grupo localizada em Buenos Aires, na Argentina.
O gerente-geral da General Mills no Brasil, Jorge Augusto Fortes, explica que a decisão foi tomada em virtude de uma combinação de diversos fatores, como a diminuição do poder de compra do consumidor brasileiro e a elevação dos custos de produção, especialmente da farinha, principal matéria-prima utilizada e cujo preço é estabelecido pelo mercado internacional.
“O mercado de massas frescas teve de aumentar muito os preços por causa do custo dos insumos, ao mesmo tempo em que o consumidor estava sem dinheiro. A companhia fez um estudo tanto para fechar a fábrica da Argentina e manter a de Bauru, quanto o que foi decidido, que foi transferir a produção para lá”, afirma Fortes.
Segundo ele, a intenção é manter a fábrica mais próxima dos fornecedores de farinha argentina, que teria qualidade superior à produzida no Brasil. A fábrica da General Mills em Buenos Aires também possuiria maior flexibilidade e tecnologia, com capacidade de ampliação da produção e manutenção da distribuição dos produtos Frescarini no Brasil.
Funcionários
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação, Antônio Carlos de Oliveira Mateus, ressalta que a Frescarini possuía 184 postos de trabalho diretos e ainda oferecia mais de 100 empregos indiretos, com funcionários do refeitório, vigilância, manutenção e construção da unidade, além de estabelecimentos comerciais que forneciam equipamentos e outros produtos à fábrica.
“Há alguns anos, percebemos que a empresa não estava bem. Eles alegam altos custos, carga tributária alta, o preço da farinha e a disponibilidade de matéria-prima na Argentina. É lamentável para o País, porque perdemos divisas, e para Bauru, pois são 184 postos de trabalho fechados. Isto não colabora para o desenvolvimento da cidade”, declara Mateus.
O gerente-geral da General Mills alega que a realocação dos funcionários demitidos da Frescarini seria a maior preocupação do grupo no momento. Ele afirma que, além dos direitos legais, eles também receberão um bônus salarial e terão seu plano de saúde estendido até 31 de abril.
“O mais importante é que estamos tentando realocá-los no mercado. Contratamos uma empresa de recolocação de mão-de-obra que vai ajudar a localizar onde estão os empregos disponíveis e a preparar os currículos de cada um dos funcionários”, diz.
De acordo com Fortes, o grupo ainda fez contato com outras empresas da região, na tentativa de oferecer os funcionários demitidos. “Elas se mostraram interessadas, porque muitos funcionários são profissionais especializados na fabricação de alimentos”, observa.
Na opinião de Mateus, a situação é mais complicada do que a empresa apresenta, pois muitos funcionários já têm idade acima de 40 anos, não possuem formação superior e podem ter grande dificuldade em se posicionar novamente no mercado de trabalho.
O secretário da pasta de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Domingos Malandrino, concorda que a recolocação dos funcionários demitidos pode não ser possível, devido à situação atual da economia da cidade e do País. “É óbvio que eles disseram que estão fazendo tudo para rearranjar, mas sabemos que isto é complicado e pode não dar certo. Ficamos tristes pois são mais de 180 empregos, são pessoas que vão ficar em situação difícil”, lamenta.
Segundo Fortes, a General Mills fechou também contratos com o Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Social do Comércio (Sesc) para oferecer cursos profissionalizantes aos funcionários, na tentativa de proporcionar-lhes uma nova chance de trabalho, mesmo que em áreas diferentes da alimentícia.
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