Regional

Doação de cestas pode criar dependência

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Os programas de distribuição de cestas básicas, em muitos casos, podme não beneficiar a população carente, que ao receber a ajuda se acomodaria. Esta é a opinião do prefeito de Avaí, Reinaldo Rocha. “Nós optamos pela distribuição de cestas pelo projeto Renda Cidadã. Desta maneira entendemos que ao invés de dar o ‘peixe’, ensinamos a pescar.”

O auxílio alimentar, segundo o prefeito, é temporário. “Assim que a pessoa tem uma habilitação, não vai mais precisar de ajuda. Ela vai trabalhar e, produzindo, vai conquistar sua auto-estima profissional e, com a renda, sustentar sua família.”

Ele admite que a simples distribuição de renda gera a dependência e a acomodação das pessoas. “É preciso critérios técnicos para que não gere a dependência política.”

O município investiu ainda na criação de uma associação indígena para comercialização do artesanato produzido pelos índios. “Uma parceria com o Sebrae permitiu a criação da Associação Comunitária dos Artesãos da Reserva Indígena de Araribá, que padroniza o artesanato para a comercialização e implantação de um pólo turístico”, comenta o prefeito, entusiasmado com a idéia.

O setor de assistência social de Duartina passou por uma experiência inusitada. Propôs aos necessitados a troca da cesta por serviços prestados. “Propomos as mulheres que elas fizessem uma faxina em troca de uma cesta básica. Elas aceitaram, mas no dia marcado, ninguém apareceu.”

A experiência rendeu um resultado esperado, diz a gestora municipal, Lígia Maria Bertinoti da Costa do Carmo. “Percebemos que as pessoas se acomodam quando ganham simplesmente a cesta básica.”

O projeto Renda Cidadã, para ela, é uma alternativa para verificar se a necessidade é real. “A pessoa precisa se esforçar para sair da situação. Nós ensinamos artesanato, culinária, e já adquirimos máquinas para o ensino de confecção de edredon, uma experiência que deu certo na cidade de Piratininga.”

Carmo frisa que a nova experiência que será implantada este ano tem por finalidade ensinar as pessoas não habilitadas a produzir edredon para que no futuro seja montada uma cooperativa. “Em Piratininga, no ano passado, havia mais pedido do que oferta de mercadoria. Isso pode render recursos para os desempregados.”

Moradia de graça

Em Cabrália Paulista, um programa da Caixa Econômica Federal (CEF) beneficiou as 32 famílias mais pobres do município, segundo a assistente social Maria Fernanda de Faria Gonçalves Rafael. “Elas foram transferidas das áreas de risco para moradias de alvenaria. Não pagam nada por isso e agora contam com saneamento básico.”

Os moradores do “Habitar Brasil”, nome do projeto, são pessoas com renda muito baixa. “São pessoas não profissionalizadas que vivem de bicos, colhem papel e sucatas etc.”

As famílias que moram no “núcleo” são, na maioria, numerosas. “Têm até seis filhos e não têm renda fixa. Muitas recebem cesta básicas da prefeitura e outras da igreja católica.”

A dona de casa Ordália de Oliveira, 63 anos, é uma das moradoras do projeto “Habitar Brasil”. Ela, que está desempregada há oito anos, vive com a filha que está para dar à luz mais um bebê e com a neta de 2 anos.

Ela confessa que a vida está cada vez mais difícil. “Minha filha está grávida e o pai da criança não ajuda em nada. Eu estou desempregada e ela também. Vivemos com a cesta básica que o padre nos dá.”

A mulher está preocupada com a suspensão da ajuda. “A cidade está sem padre e eu não sei se eles vão continuar nos ajudando. Se a campanha Fome Zero viesse nos ajudar, seria bem-vinda.”

Ela diz que já ouviu falar da campanha, mas que nunca recebeu nada do governo. “É preciso acabar com a fome, mesmo porque não há emprego.”

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