Bairros

Sem aulas, crianças brincam nas ruas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Durante as férias, as brincadeiras de grande parte das crianças que moram na periferia de Bauru se resumem às ruas. Os bairros, carentes de equipamentos públicos de lazer, têm pouco a oferecer à comunidade principalmente nesse período.

As alternativas são amarelinha, pipa, búrica, peão e futebol. Tudo na rua, que muitas vezes é de terra. As crianças confessam que preferem o período de aulas, quando as quadras poliesportivas e parquinhos das escolas públicas ficam disponíveis.

“A gente está de férias e a professora não volta mais na escola. Só quando voltarem as aulas. A gente prefere quando está estudando”, diz Caio Neves Gomes, 9 anos, morador do Núcleo Fortunato Rocha Lima.

O colega Jonatas Floriano conta que, como no bairro não há campo para jogar bola, a opção é brincar em um terreno baldio cheio de lixo. “A gente empina pipa e joga peão”, expõe.

Sueli Aparecida Moreira, mãe de cinco filhos e moradora do Fortunato, diz que fica preocupada quando os meninos correm no meio da rua para buscar pipas. “Precisamos de um lugar para eles ficarem que não seja a rua. É perigoso”, comenta.

“Não tem um lugar para brincar no bairro em que não tenha perigo. Enquanto não começam as aulas, fica assim. Quando eles estão em aulas, é diferente porque eles vão para o parquinho da escola. Em férias, não tem onde ficar. É na rua mesmo”, acrescenta.

Eunice Celestino Lima também preocupa-se com a segurança de seus filhos, que brincam na rua. “É acidente, violência e a gente não pode confiar. Temos que estar sempre olhando. A gente precisava de uma área de lazer”, reclama.

A moradora do Fortunato afirma que muitas mulheres que trabalham fora de casa deixam os filhos na rua por falta de alternativa. “Só tem uma praça no bairro, mas não serve para crianças. Teria que ter um lugar mais fechado para elas”, sugere.

Claudenice Aparecida Guilherme, também do Fortunato, esvaziou os pneus das bicicletas dos filhos e escondeu-as sobre o telhado de casa. Essa foi a forma que encontrou para evitar que as crianças arrisquem-se entre os carros nas ruas.

“Não tem um lugar para andar de bicicleta devido ao perigo da rua. Esses dias, um carro quase pegou minha menina. Vem carro com tudo e a gente tem que ficar gritando para o sujeito maneirar um pouco”, conta.

Claudenice explica que, como os quintais das casas do Fortunato Rocha Lima são pequenos, não há como evitar que os filhos saiam para as ruas. “Nós não temos espaço nem na frente e nem nos fundos da casa. A gente tranca o portão mas não adianta porque eles querem brincar”, afirma.

Com um filho recém-nascido em casa, Claudenice diz que não consegue sair para levar as crianças aos parquinhos de outros bairros. “Poderia ter uma quadra aqui. Um lugar em que a gente pudesse confiar”, observa.

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