Cultura

No cinema, o ano da vida real

Diego Molina e Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

O que faz de um filme um bom filme? Um roteiro consistente, diálogos criativos e pontuais, fotografia surpreendente, atores inspirados ou, pelo menos, uma única tomada que valha a pena o ingresso do cinema. Mais além desses quesitos, um bom filme é aquele que não faz o espectador de idiota.

Um grande filme, por sua vez, é aquele que faz o espectador sentir que apreendeu algo invisível que lhe coube de maneira particular. Concluir que esse conjunto de sentimentos particulares é compartilhado por milhares de pessoas, seja no Brasil ou na Dinamarca, em 1950 ou hoje, é o que faz de um grande filme um clássico.

O ano de 2003 nos proporcionou algum clássico? Talvez um: “Tiros em Columbine”, de Michael Moore, filme vencedor do Oscar de Melhor Documentário. Em épocas recentes, não se falou tanto de uma fita de não-ficção quanto esta, uma investigação profunda sobre a cultura do armamento e do medo nos EUA, partindo do massacre da escola Columbine, em Littleton, Colorado, onde dois adolescentes fuzilaram doze colegas e um professor em abril de 1999.

Moore ficou famoso pelo discurso inflamado na noite de entrega do prêmio, quando criticou (para dizer o mínimo) o presidente George W. Bush. O cineasta também foi “acusado” de manipular os fatos para justificar sua tese. Besteira. Não há uma tese fechada, tampouco malabarismos flagrantes na ilha de edição. Moore trabalha com fatos - que, afinal, são sempre versões de fatos. E faz isso muito bem feito.

Parece curioso eleger um documentário como melhor filme de 2003. Mas, enfim, o que dizer das grandes ficções da “vida real”, como a eleição de Bush, as armas de destruição em massa do Iraque ou o espetáculo do crescimento que o presidente Lula prometeu ao Brasil? Vale a pena também prestar atenção a dois documentários franceses: “Ser e Ter”, de Nicolas Philibert, filme sobre um professor e seus alunos no interior da França, que levou 2 milhões de pessoas ao cinema naquele país, e “Migrações Aladas”, de Jacques Perrin, fita quase sem narração sobre os hábitos migratórios dos pássaros.

O Brasil também foi pródigo em documentários, infelizmente, assim como os descritos acima, nunca vistos nos cinemas de Bauru. São eles “Edifício Master”, de Eduardo Coutinho, “Ônibus 174”, de José Padilha e “Motoboys - Vida Loca”, de Caíto Ortiz.

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