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Calor eleva incidência de peçonhentos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

O tempo abafado, com temperatura e umidade altas, pode ser um incômodo para muita gente, mas faz a alegria dos animais peçonhentos. Escorpiões, cobras, aranhas e taturanas encontram um ambiente propício para se proliferarem, deixando a população alarmada. Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que 30% dos casos de acidentes provocados por estes animais ocorrem em janeiro e fevereiro.

O chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, explica que o aumento do número de animais peçonhentos nesta época do ano está ligado a questões biológicas. “Com a temperatura e umidade altas, o ciclo de vida deles acaba se encurtando com relação ao tempo que demoram para atingir a idade adulta”, diz.

Segundo ele, o CCZ já vem registrando, por exemplo, um aumento de reclamações sobre a presença de escorpiões. Foram seis em outubro, 26 em novembro e 39 no mês passado.

A professora aposentada Mercedes Zanatta sabe bem o que é ter que conviver com escorpiões. “Tive problemas sérios com eles e cheguei a encontrá-los dentro de casa”, revela a moradora da Vila Industrial.

Ela conta que chegou a perder a conta dos sustos que levou com os animais peçonhentos. “Já teve caso de eu ter levantado durante à noite e encontrar um escorpião no banheiro. São coisas que deixam a gente espantada. Eu tenho medo o tempo todo, porque eles podem aparecer a qualquer hora, seja dia ou noite”, comenta.

Prevenção

O chefe do CCZ explica o que deve ser feito para evitar a proliferação de escorpiões em quintais e terrenos. “A pessoa não deve manter, em hipótese alguma, materiais inservíveis, ou seja, madeiras, telhas, tijolos e restos de construção. Isso tudo fornece um local apropriado para o escorpião se alojar”, alerta Gonçalves Neto.

Outra orientação é tomar cuidado com as condições de higiene. “O escorpião se alimenta de outros insetos de tegumento mole. Um dos seus pratos preferidos, por exemplo, é barata. Se ele tiver uma alimentação farta e abrigo, é por ali que ele vai ficar”, diz.

As mesmas precauções podem dificultar o aparecimento de cobras. “Elas se alimentam de roedores e pequenos animais. Se o terreno está em péssimas condições de conservação e com lixo depositado de forma incorreta, atrai ratos e, conseqüentemente, as cobras”, declara.

Gonçalves Neto afirma que também é preciso ficar atento com relação às aranhas. “A espécie que é comum de ser encontrada em gramados não provoca um desconforto nas pessoas, porque é relativamente pequena, mas ela é venenosa. Às vezes, quando aparece uma caranguejeira, que pode ser maior do que uma mão, acaba assustando mais, embora tenha um veneno menos perigoso do que o da outra”, explica.

Sobre a proliferação de caracóis de origem africana, o chefe do CCZ lembra que ela é facilitada pela ausência de inimigos naturais. “Algumas pessoas irresponsáveis introduziram essa espécie no Brasil, tentando fazê-la passar por escargô (caracol da culinária francesa). Quando perceberam que ela não teria comercialização, já que não é comestível, abandonaram essa criação e ela se espalhou rapidamente”, diz.

Ele lembra que a prevenção aos animais peçonhentos deve ser feita durante todo o ano, e não apenas em épocas de calor. “ Os órgãos de saúde e a população devem estar atentos permanentemente. É justamente por não haver um trabalho preventivo que temos este tipo de problema”, critica.

Gonçalves Neto alerta que, em caso de dúvidas sobre determinado animal, a pessoa deve entrar em contato com o CCZ. “Nós protocolamos a reclamação e o fiscal vai até a casa dela para verificar se há condições que podem estar facilitando a presença de cobras ou escorpiões”, diz.

Ele afirma que o ideal é que a população tente eliminar um animal peçonhento quando se deparar com ele. “Mas é preciso tomar os devidos cuidados, porque ela estará mexendo com espécies que têm veneno. Em caso de picada, a pessoa deve pegar o animal e procurar o Pronto-Socorro ou unidade de saúde mais póxima. É importante para o médico saber qual foi a espécie responsável pela picada para determinar o início do tratamento”, justifica.

Serviço

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) fica na rua Henrique Hunzicker, s/nº, no Jardim Bom Samaritano. O telefone para informações é (14) 3235-1215.

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