A rotina da semana é quebrada no domingo com um café da manhã um pouco mais calórico para Ivan Célio Peres. Ele levanta da cama e corre para a feira livre da rua Gustavo Maciel. Antes de ir à procura da alface americana que sua mulher gosta, passa pela barraca do pastel e come um. Em seguida, vai até a barraca de garapa e toma um copo, para relaxar.
Só então é que ele vai percorrer a feira para encontrar aquilo que a mulher precisa para o almoço do domingo e para as refeições da semana. “Gosto das verduras da feira porque são frescas, duram mais na geladeira.”
Mas não é só isso que Peres procura na feira livre. “Eu venho para me livrar do estresse. A feira é para mim um lazer. Aqui eu passeio, encontro os amigos e faço novas amizades. É muito divertido.”
Depois de tudo isso, ele não dispensa uma passadinha na feira do rolo. “Aqui a gente encontra todo tipo de coisa. Gosto de ver as novidades. Já comprei antigüidades como um sino para a decoração de minha casa, uma televisão e um macaco para o meu carro.”
Comer pastel de feira é o sabor do domingo para o casal Joceir Adilson Amaral e Valderez Cardoso. “Nós visitamos a feira para comer pastel. Só aqui tem um pastel recheado como gostamos. Eu compro sempre na mesma barraca que tem o especial com carne e ovo”, comenta a mulher.
Para eles, a compra de verduras e frutas é secundária. “Já compramos algumas vezes, mas não é a prioridade.”
A feira livre do domingo no Centro da cidade é também palco de teatro religioso e encontro de políticos. Ontem, vereadores, o vice-prefeito Dudu Ranieri e aliados políticos trocavam idéias.
Cada um usa o que tem para atrair o público na feira. O preço dos produtos é o principal atrativo para um local freqüentado por todas as classes sociais. Espaço democrático, a feira permite todo tipo de manifestação. Ontem, um grupo de jovens de uma igreja evangélica desenvolvia uma perfomance em frente a um cinema que exibe apenas filmes eróticos, enquanto uma comerciante tentava persuadir o público para levar sua mercadoria, laranjas fresquinhas e doces.
Os pintinhos recém-nascidos atraíam o público infantil que insistia em levá-los, mesmo contrariando a vontade dos pais. O queijo em nó e a pamonha quentinha são outros itens que atendem aos mais diversos gostos e bolsos.
Inusitado
A troca é que move a feira do rolo. Mas a venda de produtos inusitados é o atrativo. Quando uma pessoa vai para a feira do rolo, nem sempre está à procura de uma mercadoria, na maioria das vezes quer ver o que os comerciantes estão vendendo.
De parafuso a televisão, passando por discos antigos, móveis em pátina, pneus, rodas e aparelhos eletroeletrônicos é possível encontrar na feira do rolo.
Quem chega pela primeira vez tem a impressão de desorganização. Encerados jogados ao chão forrados com todo tipo de peça e mercadoria fazem parte do quadro da feira.
Democrática por natureza, ela vende e troca de tudo. Ali é possível chegar com um chuveiro velho e sair com um sapato de ‘meia vida’.
Mas a feira do rolo não é só isso, serve de sustento para muitos e de lazer para outros. Fátima Aparecida Oliveira Almeida, por exemplo, consegue faturar até R$ 120,00 por semana vendendo os mais diversos produtos usados. “Em compro de quem não quer mais e vendo para quem precisa.”
Na feira do último domingo, no setor de antigüidades um PABX antigo, que ninguém sabia exatamente de que época era, foi a peça mais cobiçada.