O primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi avaliado positivamente por lideranças do setor produtivo de Bauru. As ressalvas ficam por conta da reforma tributária e da legislação trabalhista, que na avaliação dos segmentos precisam ser revistas com urgência. As críticas pesadas em relação ao governo petista estão centralizadas em partidos de oposição, como o PSDB e PSTU.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), Walace Garroux Sampaio, avalia que 2003 foi um ano positivo se consideradas as expectativas negativas que rondavam o presidente da República.
“No final de 2002, havia um enorme ponto de interrogação pela frente e uma preocupação muito grande. A ação do governo foi positiva. Foi um ano de recuperação em relação aos estragos verificados em 2002. Acho que o Lula fechou o ano com saldo positivo”, analisa Sampaio.
Na avaliação dele, nem mesmo as decisões de aspecto social resultaram em tumulto. “A frustração do ano ficou por conta da não realização da reforma tributária. A sensação que fica é que, mais uma vez, o sistema foi tratado com uma reforma arrecadatória. Tem sido a tônica de todos os anos”, diz.
Particularmente, Sampaio afirma que a eleição de Lula para o mais alto posto do País nunca o assustou. “Eu tinha a impressão que teríamos uma vida um pouco mais tumultuada. Mas pelo primeiro ano, acho que vamos ter um governo produtivo.”
Ele elogia, ainda, a disposição do governo de incentivar as exportações. “Pela primera vez vejo um presidente empenhado nesse aspecto. O Lula parece muito mais um mercador.”
Para 2004, o presidente do SinComércio acredita que o grande desafio do governo do PT será colocar em prática o estatuto das micro e pequenas empresas.
Sem queixas
Outro setor que também está satisfeito com o primeiro ano de governo petista é o agropecuário. O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, faz comentários positivos sobre as decisões políticas.
“Nós, do setor primário, não temos do que nos queixar, em termos políticos, do governo. Na parte econômica, sofremos o que os demais setores sofrem: ausência de recursos brutal. O Ministério da Agricultura é tolhido dentro do seu orçamento. A briga para recursos não é entre produtor e governo. É entre governo e governo, ministro da Agricultura com o ministro da Fazenda”, diz.
Lima Verde conta que o sucesso do governo verificado no setor primário é resultado da equipe de técnicos - em nível de segundo escalão - que foi mantida nos ministérios pelo governo do PT. “É um pessoal extremamente competente.”
O presidente do sindicato não esconde que passou o ano se surpreendendo com a performance do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe. “Ele está contrariando o que falava. Mas contrariando pelo lado bom. Felizmente, o Lula desmentiu para o País o que o PT pensava”, avalia.
Ajuste de contas
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, também elogia, com algumas restrições, o desempenho do PT no comando do País.
“Na questão do serviço público, o Lula avançou bem. A reforma previdenciária foi feita, talvez não nos moldes que ele pensava fazer. Isso vai reduzir as despesas previstas para o setor. O presidente foi muito corajoso porque bateu contra o corporativismo.”
Mas Simonelli analisa que a reforma trabalhista deixou a desejar. “Era também o momento da reforma trabalhista. Até porque uma das metas do governo era gerar 10 milhões de empregos. Com essas condições de contrato trabalho e encargos, isso não poderá ser cumprido”, afirma.
O diretor do Ciesp também aponta que na política comercial o governo foi tímido. “Deixou muito a desejar para a maioria dos setores. Focou-se muito na questão da agroindústria, agrícola e pecuária. O caminho não é só esse. Precisamos definir se queremos ser uma nação agrícola ou industrializada.”
Por outro lado, Simonelli faz parte do grupo do setor produtivo que riscou o receio de ter um governo do PT no comando do País. “Salvo engano, o que o Lula implementou já vinha caminhando. Esse aspecto de ser um governo de esquerda está superado. Não houve ruptura e até se criou uma ala de descontentes no partido. Eles estão no caminho certo.”