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Bonitas, mas venenosas


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Venenosas ou tóxicas determinadas plantas vegetais não são encontradas apenas nas áreas rurais ou nos matagais. Muitas se acham presentes em setores urbanos e, inclusive, dentro dos lares, nos quais crescem em vasos inadvertidamente colocados por moradores, incentivados pelo incontido desejo de ornamentar salas, quartos, copas, varandas e outros ambientes. Entre elas pode ser citado diretamente o festejado comigo-ninguém-pode, que a superstição humana determina seja curtido para afugentar mau-olhado, mas que figura entre os que mais causam intoxicação, decorrente de oxigenação insuficiente do sangue, propensa a atentar contra as existências físicas dos cultivadores de quaisquer idades. Suas folhas verdes com manchas brancas e o respectivo caule, quando múltiplos, provocam inflamação nos lábios e na língua, o que pode produzir até mesmo a morte. Acompanha-a a conhecida mamona, que cresce em terrenos baldios, em forma de arbustos com folhas também verdes. E suas sementes, quando ingeridas, são altamente tóxicas, provocando distúrbios gastrintestinais como vômitos, diarréia e cólicas abdominais. Paralelamente aparece por aí a figura de saia-branca, também conhecida como trombeteira, cujo fruto, uma vez seco, deixa à mostra as sementes que atraem crianças, agindo no sistema nervoso. Há, ainda, o pinhão-paraguaio, distinguido como pinhão-purga, gerador contumaz de violentos problemas digestivos. Mas, entra igualmente no elenco a mandioca-brava, cuja intoxicação é muito séria, idêntica à produzida pelo ácido cianídrico, que causa desarranjos gastrointestinais, irritação das vias respiratórias e manifestações neurológicas, como vertigem, convulsão, contrações musculares generalizadas e inclusive o trespasse, decorrente de pouca oxigenação do sangue, propensa a atentar contra a existência dos seus cultivadores, de quaisquer idades, sem dar a mínima para as suas artísticas intenções.

Conclui-se, então, que o veneno dessas e muitas outras plantas ornamentais não mora em jardins e pomares domésticos e, sim, dentro da própria casa da gente, nas quais os principais acidentes com substâncias nocivas vêm também da ingestão de medicamentos inadequados (40,8%), produtos químicos (27,8%), as tais plantas (20,5%) e os inseticidas em geral (12,7%), precisando o paciente receber imediatamente cuidados médico-hospitalares, notadamente sendo criança, que, antes do serviço clínico, deve ter esvaziado o estômago por meio de vômitos, que podem ser espontâneos ou provocados. De qualquer forma o ideal é que as vegetações tóxicas precisam ter o seu cultivo evitado, porque, como diz velho ditado, são elas “por fora bela viola e por dentro pão bolorento”, já que enfeitam ambientes mas são propensas a assassinar seus admiradores. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas.

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