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A economia brasileira


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Ano 2003 - O cenário de início de ano era difícil. Dúvidas externas (guerra no Iraque; síndrome na China; fluxo financeiro internacional em baixa; entre outras) e internas (novo governo) indicavam um grande desafio para o início de ano.

O governo Lula recebeu uma “herança” que o próprio PT ajudou a construir (obstruindo o avanço das reformas estruturais) que somava dúvidas e desafios.

Inflação projetada acima de 40% ao ano e desconfiança sobre a conduta de política econômica geravam incertezas refletidas na cotação do dólar (busca de segurança), que quase bateu os R$ 4,00.

Com uma política econômica clássica (ortodoxa), combinando forte ajuste fiscal com política monetária restritiva o alvo foi atingido: a inflação cedeu. Fechamos o ano pouco acima da meta, ficando em 9,3% (IPCA).

Os efeitos colaterais da priorização do combate a inflação foram sentidos na queda do nível de atividade econômica (salvo pelo setor primário da economia - via exportação); desemprego na casa dos 12% da População Econômica Ativa; crescimento da inadimplência; quebradeira.

O ano foi salvo pela redução de 10 pontos percentuais da taxa básica de juros (de junho a dezembro), indicando mais do que uma recuperação do ano, uma tendência de um 2004 melhor. Isso tudo foi refletiu em melhor percepção externa do País com queda do risco Brasil e atração de capital estrangeiro.

Ano 2004 - As reformas da previdência e tributária, mesmo não sendo as ideais, reverteram a expectativa negativa de longo prazo da economia brasileira.

Juros menores, um discurso mais otimista e uma excelente percepção externa sobre o potencial da economia brasileira (estão de olho nesse imenso mercado) e ainda o enfraquecimento do dólar no contexto internacional (buscam mercados emergentes como o nosso) estão permitindo projeções mais otimistas para 2.004.

O Produto Interno Bruto, medida principal da riqueza nacional, tem tudo para alcançar um crescimento entre 3 e 4% para esse ano. Isso ocuparia parte da capacidade ociosa da indústria. O setor primário continuará tendo bom mercado externo. Os demais setores, notadamente o de serviços seguirão o mesmo comportamento.

Isso em um ambiente de juros em queda. Há espaço para virarmos o ano com uma taxa nominal (sem descontar a inflação) na casa dos 12 a 14% ao ano. Com um dólar mais baixo (oscilando entre R$ 2,80 e R$ 3,05) os juros poderão até ceder mais, isso se a postura conservadora do Banco Central for revertida. Mesmo considerando uma postura conservadora do BC podemos projetar crescimento da economia.

As exportações manterão o nível atual e o superávit comercial deve girar na casa dos US$ 20 bilhões para este ano.

O gargalo de um crescimento sustentado está centrado na capacidade de o governo investir em infraestrutura básica. Todos se recordam do forte crescimento industrial há três anos e o advento do apagão gerando frustração generalizada.

Neste momento, há espaço para ocupar a capacidade instalada da indústria. A ociosidade é notória. Em seguida, vem a necessidade de aporte de capital, isso é, novos investimentos (tanto do setor privado quanto do público). Quando se chega ao fundo do poço, como foi em 2003, é natural, pelo próprio ciclo econômico, uma retomada do crescimento (mesmo porque o governo realizou a lição de casa). Mas em seguida vem a efetiva medida da capacidade que a economia tem de se sustentar.

Outro desafio está no sentido de atender a demandas públicas, geradas a partir da postura do presidente em atender o grosso da população, cujo perfil social indica mais de 50 milhoes de brasileiros abaixo da linha de pobreza. De qualquer maneira podemos apostar em anos melhores e, não pecando no populismo é possível “acertar a mão” para um ciclo virtuoso.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon.

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