Pesca & Lazer

'Primas' dos dinossauros

Por Sheila Junqueira | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 5 min

As tartarugas marinhas habitam a Terra há mais de 150 milhões de anos e conseguiram sobreviver às mudanças do planeta. Esses animais, que já dividiram espaço com os dinossauros, não poderiam “imaginar” que em 2004 sua existência só seria garantida graças a projetos de preservação como o Tamar, patrocinado pela Petrobras.

Criado na década de 80, a partir do sonho de jovens oceanógrafos, o Tamar atualmente monitora 1.000 quilômetros de praia, e conta com 20 bases cobrindo oito estados brasileiros.

Essas bases estão vinculadas a cinco sedes regionais: Ubatuba (SP), Regência (ES), Praia do Forte (BA), Pirambu (SE) e Fernando de Noronha (PE). Nelas, além de lojas - que vendem camisas, acessórios, tartarugas de pelúcia, brinquedos e artigos de papelaria -, há museus, tanques, aquários e exposições.

A sede nacional fica na Praia do Forte (52 quilômetros de Salvador) e junto com a base de Arembepe, também na Bahia, registra o maior índice de desova de todo o litoral brasileiro.

Nas cidades-sedes, a tartaruga está presente em tudo, do artesanato aos temas e decorações de bares e restaurantes. Na Praia do Forte, a estrutura integra a beleza natural do local. Tanques com todas as espécies, viveiros, carapaças, sala de vídeo, loja, museu e uma decoração inspirada nas tartarugas formam o clima ideal para quem quer conhecer de perto o trabalho de preservação desses animais.

Até mesmo os sanitários foram inspirados no mar. São grandes caramujos estrategicamente instalados na sede, que conta ainda com restaurante. Tudo a alguns passos de extenso coqueiral e de piscinas naturais formadas por recifes de corais, próprias para relaxamento e mergulho.

"Tartarugueiros"

O projeto Tamar desenvolve continuamente atividades de pesquisa visando aumentar o conhecimento sobre o comportamento das tartarugas marinhas e aprimorar técnicas que ajudem na preservação. Para isso, conta com o envolvimento de membros das comunidades locais.

Após um longo trabalho de conscientização, pescadores e moradores que eram conhecidos como “tartarugueiros” por caçarem os animais, hoje têm esse nome porque monitoram as praias e ajudam a proteger fêmeas, ninhos e filhotes. O Tamar atualmente emprega cerca de 400 famílias ao longo do litoral brasileiro. Muitos são filhos de antigos predadores de tartarugas marinhas e associam o conhecimento adquirido nas caçadas, aos transmitidos pelo projeto.

Também são desenvolvidos programas de pesquisa em parceria com várias universidades e oferecidos estágios nas áreas de biologia, engenharia de pesca, veterinária, oceanografia e outros cursos que enfoquem a questão ambiental.

Como incentivo aos “tartarugueiros”, são apoiadas atividades pesqueiras como criação de ostras e mexilhões, atratores artificiais e beneficiamento do pescado.

Monitoramento

Para descrever as populações das “primas” dos dinossauros são realizados estudos que revelam informações sobre comportamento de reprodução, condição de incubação, distribuição espacial e temporal de ninhos para as diferentes espécies e áreas. Os resultados são apresentados à comunidade científica através de simpósios e congressos no Brasil e no Exterior.

Milhares de filhotes são liberados anualmente e cada um entregue ao mar é motivo de grande satisfação para pesquisadores e “tartarugueiros”. Algumas tartarugas recebem transmissores inoxidáveis no casco, contendo um número e o endereço do Tamar. Através deles, é feito monitoramento via satélite para acompanhar o caminho dessas ágeis nadadoras. Uma delas, lançada ao mar no litoral baiano, apareceu seis meses depois na costa africana.

Pessoas interessadas em acompanhar a ida dos animais para o mar devem entrar em contato nas bases do projeto. Além de observar um belo espetáculo da natureza, podem aproveitar todo o potencial ecológico das praias onde o projeto está instalado.

• Serviço

Projeto Tamar, sede nacional Praia do Forte (BA), telefones (71) 676-1045/1113; Ubatuba (SP), telefone (12) 3833-6394. Informações: www.projetotamar.com.br.

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Curiosidades

• Somente as fêmeas saem à praia. Os machos têm a vida toda na água.

• Uma mesma fêmea pode realizar de três a cinco desovas por temporada, com intervalos de dez a 15 dias cada uma e 130 ovos em média.

• Os ovos ficam enterrados na areia sob o sol entre 45 e 60 dias. O sexo das tartarugas é determinado pela temperatura da areia. Mais calor produz fêmeas e mais frio produz machos.

• O nascimento ocorre quase sempre à noite e para chegarem ao mar os filhotes se orientam pela luminosidade do horizonte.

• De cada 1.000 tartarugas nascidas, apenas uma ou duas vão chegar à idade adulta.

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Espécies

As tartarugas marinhas estão divididas em sete espécies. O Brasil abriga cinco.

Tartaruga-de-pente

É considerada a mais bonita. Tem a carapaça formada por escamas marrons e amarelas, sobrepostas como um telhado. Seu casco pode medir até um metro de comprimento e pesar 150 quilos. Tem este nome porque caçadores vendiam seu casco para fabricação de pentes e armações de óculos. É uma das mais ameaçadas de extinção.

Tartaruga-cabeçuda

Tem a cabeça proporcionalmente maior que a das outras espécies, chegando a medir 25 centímetros. Seu dorso é marrom e o ventre, amarelado. Seu casco mede aproximadamente um metro e pesa cerca de 150 quilos.

Tartaruga-verde

Tem o casco castanho esverdeado ou acinzentado, medindo cerca de 1,20 metro. Pesa em média 250 quilos, podendo atingir até 350 quilos.

Tartaruga-oliva

É a menor de todas as tartarugas marinhas, medindo cerca de 60 centímetros e pesando em torno de 65 quilos. Seu nome vem da cor cinza esverdeada da carapaça.

Tartaruga-gigante ou de-couro

Chega a medir dois metros de comprimento no casco e pesar 700 quilos. De cor preta, com pontos brancos, tem o casco menos rígido que as outras, parecendo quase um couro - por isso ganhou esse nome. Tem grandes nadadeiras frontais, que lhe permitem nadar longas distâncias. Vive sempre em altomar, aproximando-se do litoral apenas para desova.

Fonte: www.projetotamar.com.br

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