A Universidade Estadual Paulista (Unesp) incluiu no orçamento deste ano a construção de moradias no câmpus de Bauru. A informação foi confirmada pelo diretor administrativo do câmpus, Luiz Henrique Garcia. A obra vai custar cerca de R$ 700 mil. O projeto prevê a edificação de dois blocos com capacidade para abrigar, no total, 64 estudantes.
Segundo Garcia, não há data para o início da construção. Os investimentos prevêem, além dos prédios, a instalação do mobiliário que será utilizado pelos universitários que vão residir nos apartamentos.
No ano passado, um grupo de estudantes ocupou, por 174 dias, várias salas de aula da universidade em protesto ao que eles qualificavam como “descaso” da Reitoria em relação ao problema de moradias.
Também estão incluídos no orçamento da instituição educacional para este ano a construção do restaurante universitário e uma readequação da rede de energia elétrica do câmpus.
O primeiro vai consumir investimentos da ordem de R$ 750 mil. O projeto já está pronto e prevê a ampliação do atual restaurante. Depois de pronto, será equipado com câmara frigorífica para armazenar alimentos. Terá capacidade para servir cerca de 600 refeições por dia. A previsão é de que a obra fique pronta ainda no primeiro semestre deste ano.
A readequação da rede de energia elétrica é uma reivindicação antiga do câmpus. O investimento será de R$ 900 mil. O atual sistema está sobrecarregado e provoca constantes quedas de energia. Nos últimos 15 anos, a área construída do campus dobrou: saltou de 20 mil metros quadrados para 40 mil metros quadrados. As constantes quedas de energia geram, entre outros transtornos, defeitos em equipamentos.
Unidades
As verbas deste ano para o custeio - despesas com água, luz, telefone, transporte e compra de materiais de uso rotineiro - destinadas às três unidades de ensino do campus de Bauru - Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (Faac), Faculdade de Ciências (FC) e Faculdade de Engenharia (FE) - receberam apenas a correção da inflação do período, de 7%.
Com isso, a demanda de reivindicações é grande. Segundo o professor José Brás Barreto de Oliveira, diretor da Faculdade de Ciências, o orçamento prevê cerca de R$ 680 mil para cada unidade custear as despesas no transcorrer do ano.
Nas próximas semanas, inicia-se, em São Paulo, a discussão de uma suplementação de R$ 4 milhões, valor que será distribuído entre as 25 unidades da instituição. Não há um valor definido para cada uma delas.
O professor Lauro Henrique Mello Chueri, diretor da Faculdade de Engenharia, explica que, historicamente, as verbas recebidas pelas três unidades de Bauru estão defasadas em pelo menos 30% do valor que será destinado neste ano. Ele conta que um estudo encomendado pela Reitoria da universidade mostra essa realidade.
O levantamento - embasado em dados levantados em 2002 - foi baseado em número de estudantes, de cursos e de funcionários e mais a área construída de cada unidade.
A expectativa é de que as três unidades de Bauru sejam merecedoras de uma suplementação mais realista na hora da divisão dos R$ 4 milhões extras que serão distribuídos.
Somados os três valores destinados a cada faculdade, chega-se a R$ 2,8 milhões, montante que, na avaliação do professor Brás, deveria atingir R$ 4 milhões, o que proporcionaria um melhor suporte às atividades das unidades. Ele ressalta que se o modelo adotado no estudo realizado pela reitoria for aplicado, será um avanço para as verbas de custeio.
A aplicação do custeio previsto para o ano depende da arrecadação do Estado. As verbas das universidades estatais estão diretamente vinculadas ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
No ano passado, a queda desenfreada na arrecadação fez com que as instituições revissem o orçamento e sua aplicação.