Bairros

Codepac tomba capela da Sta. Casa

Ieda Rodrigues (com Redação)
| Tempo de leitura: 3 min

A capela da antiga Santa Casa de Misericórdia de Bauru, localizada na quadra 8 da rua Monsenhor Claro, foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac). O decreto assinado pelo prefeito Nilson Costa (PTB) anteontem determina que as instalações da capela sejam preservadas como parte integrante da história e da cultura de Bauru.

A igreja fica ao lado da Santa Casa de Misericórdia, entidade filantrópica fundada em 1912 pelo primeiro juiz de direito de Bauru, Rodrigo Romero. A Santa Casa de Misericórdia atendeu como hospital até 1978, quando parte do terreno da entidade foi desapropriada pelo governo do Estado e usada para erguer o Hospital de Base.

A partir de então, o prédio passou a abrigar apenas o Laboratório Santisa, que chegou a produzir 20 tipos diferentes de remédios de embalagem hospitalar. O laboratório foi desativado há cerca de um ano e meio. A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, que ainda é proprietária do imóvel, pretende construir uma creche no local do laboratório.

Erguida na década de 30, a capela é uma construção simples, com alguns elementos do neogótico (construções com abóbadas ogivais e motivos tirados da natureza). “É um prédio bem menos suntuoso que as igrejas Santa Teresinha e Presbiteriana, construídas na mesma linha arquitetônica e que também já estão tombadas”, explica Nilson Ghirardello, presidente do Codepac.

Porém, ele ressalta que a capela tem mais valor pela importância que teve na ocupação urbana daquela região da cidade e pela relação de afeto de pacientes da antiga Santa Casa e seus parentes. “Esse é um prédio que exemplifica bem que o Codepac não se restringe a cuidar do tombamento de construções suntuosas. Além do valor histórico e cultural, também consideramos o valor afetivo e a importância do imóvel para aquela região”, diz Ghirardello.

Pelo decreto do prefeito, a capela deve ter preservadas as fachada frontal, lateral e de fundo (paredes, portas e janelas de ferro originais, vitrais, cobertura e torre), escada e calçamento do entorno, considerando-as integralmente em seu conjunto e volume.

Internamente, o imóvel deverá permanecer com as características atuais. O decreto de tombamento, que também leva as assinaturas do secretário dos Negócios Jurídicos, Emir Maddi, do secretário da Cultura, Sérgio Ricardo Losnak, e da secretária adjunta de Planejamento, Tânia Kamimura Maceri, detalha as orientações e proibições legais: a capela não pode, em caso algum, ser destruída, demolida ou mutilada.

O imóvel não poderá, sem prévia e expressa autorização do Codepac, ser reparado, pintado ou restaurado, sob pena de multa de 1% a 20% sobre o valor do bem tombado, definida pelo Codepac, sem prejuízo de sanções de outras naturezas. Também ficam vedadas as construções ou ampliações num recuo de dez metros no entorno, mantida a via interna de acesso existente.

Qualquer construção a ser executada num raio de 30 metros a partir da capela deverá ser previamente autorizada pelo Codepac. O descumprimento das vedações citadas acarretará a demolição da obra ou a retirada do objeto imediatamente, de acordo com as medidas administrativas e judiciais competentes.

Ary Nunes Garcia, primeiro-secretário da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, conta que a instituição está aguardando a desocupação do prédio cedido à prefeitura e que abriga o Centro de Apoio Psico Social (Caps) a dependentes de álcool e drogas para iniciar a construção da creche ao lado da capela.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a administração já está procurando outro imóvel para transferir o Caps e assim devolver o prédio à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia. Se o projeto for executado como está previsto, a capela ficará ao lado da creche, que deve ser gerida pela própria instituição e atender crianças carentes gratuitamente.

A capela da Santa Casa de Misericórdia é mais um dos cerca de 20 prédios que o Codepac já definiu pelo tombamento e aguarda apenas o prefeito assinar o decreto neste sentido, de acordo com Ghirardello. Bauru, lembra, já conta com cerca de dez imóveis tombados pelo patrimônio histórico e cultural, incluindo o Automóvel Club, a Estação da Noroeste, parte do Instituto Lauro de Souza Lima, a Igreja Presbiteriana e a Igreja Santa Teresinha.

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