No último mês de 2003, o índice de inadimplência no comércio de Bauru teve alta de 69,62% sobre o mesmo período do ano anterior. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) - vinculado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) -, foram incluídos 18.426 nomes no cadastro de inadimplentes do órgão, contra 10.863 em dezembro de 2002.
Na comparação de dezembro de 2003 com novembro do mesmo ano, o aumento no número de inclusões é de 56%, ou seja, foram 18.426 em dezembro contra 11.809 nomes de consumidores que entraram para a listagem do SPC no penúltimo mês de 2003.
Para o economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) Reinaldo César Cafeo, o aumento significativo de inclusões de nomes em dezembro do ano passado sobre igual período de 2002 chama a atenção para a realidade do País.
“Para que o consumidor tenha sido incluído no cadastro de inadimplentes no mês de dezembro, provavelmente suas dificuldades financeiras começaram a se agravar por volta de agosto, setembro. Tudo indica que essa realidade seja um reflexo direto do cenário econômico nacional ao longo do primeiro semestre de 2003, com um novo governo tentando colocar ordem na casa e tendo que tomar algumas medidas drásticas rumo a esse objetivo”, analisa Cafeo.
Na comparação entre os dois últimos meses de 2003, vale a mesma avaliação, segundo o economista. Sem conseguir recuperar o orçamento em novembro, no mês passado acabou aumentando a quantidade de consumidores que não conseguiram quitar dívidas assumidas no comércio.
Na avaliação do presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, os bauruenses têm sofrido financeiramente com o desgaste político que paira sobre a cidade há mais de uma década e com a falta de investimentos.
“Somando a isso os reflexos da economia nacional, com queda nos níveis de emprego e outros fatores, a maioria das pessoas está perdendo poder aquisitivo e acaba se atrapalhando na hora de honrar compromissos assumidos. Isso sem falar na falta de planejamento do orçamento doméstico. Para este ano esperamos uma recuperação.”
Consultas
Em relação ao número de consultas efetuadas por lojistas do comércio central de Bauru junto ao SPC, durante o último mês de dezembro foram registradas 164.985, contra 104.443 no mesmo período de 2002 (alta de 57,96%) e 118.138 consultas feitas em novembro de 2003 - sendo 39,65% a mais em dezembro.
De acordo com Cafeo, o número maior de consultas em dezembro de 2003 sobre igual mês do ano anterior não surpreende, já que 2002 é considerado uma base fraca de comparação. “Naquela época (dezembro de 2002), as pessoas estavam receosas quanto ao resultado das eleições, ninguém sabia o que esperar de 2003. Automaticamente isso gera uma retração nos impulsos dos consumidores”, diz o economista.
Além disso, o maior volume de consultas em dezembro do ano passado na comparação com 2002 também pode ser um indicativo de que os lojistas estão sendo cada vez mais cuidadosos e rigorosos no momento de abrir um crediário ou de fechar uma compra com cheque pré-datado, e por isso, recorrem mais ao cadastro de inadimplentes do SPC, conforme observa Cafeo.
Na comparação de dezembro com novembro de 2003, o crescimento no número de consultas no último mês do ano também é natural. O motivo são as compras de Natal. “Com o comércio mais movimentado em função do Natal, pagamento do 13.º salário e de restituição do Imposto de Renda, os lojistas buscam mais informações junto ao SPC”, diz o economista.