Araraquara - Os telefonemas anônimos e ameaçadores que os dois empresários de Araraquara (125 quilômetros a Nordeste de Bauru) juntamente com mais de 6 mil vítimas em todo o Estado receberam nas últimas semanas teriam sido feitos do presídio de Bangu 1 e dos morros do Rio de Janeiro.
A informação foi confirmada ao jornal Tribuna, de Araraquara, pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), em São Paulo. O golpe é o mesmo e envolveria mais de 25 pessoas.
De acordo com os dados colhidos pela reportagem, somente na Capital e Grande São Paulo, o Deic recebeu aproximadamente 6 mil denúncias de vítimas desta natureza. O golpe aplicado por pessoas que se dizem membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) já penetrou também em cidades como Bariri, Barra Bonita, Bauru, Sorocaba, Campinas, Santos e nos Estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Somente um empresário da baixada santista teria dado R$ 10 mil em créditos de cartões de telefones celulares ao grupo. Dados da Capital dão conta de que a quadrilha está diluída entre os morros cariocas e o presídio de Bangu 1.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que as investigações em andamento não são reveladas à imprensa. O assessor do Deic disse que eles estão apurando o fato, pois já foram descobertas ligações feitas também do Paraná. Por enquanto, ele preferiu não dar detalhes sobre o caso.
O delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Araraquara, Jesus Nazaré Romão, contou que não foi atendida nenhuma outra ligação de moradores alegando terem sido vítimas da extorsão. As ligações começaram a ser recebidas na cidade há três dias e exigem das vítimas contribuição em dinheiro e a numeração de cartões de telefones celulares de operadoras do Estado de São Paulo, sob pena de represálias.