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Prevenção x dinheiro, eis a questão

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Os benefícios da manutenção preventiva veicular são incontestáveis. Menores custos de reparação e períodos parados em oficinas, além de contribuir para diminuir os índices de acidentes e preservar o meio ambiente, são os principais. Mas, em tempos de dinheiro curto e orçamento doméstico apertado, é possível adotar seus princípios sem abalar as estruturas financeiras familiares?

Segundo o engenheiro mecânico e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp)/Bauru, Marcos Roberto Bórmio, a resposta é positiva. “É perfeitamente possível, pois muitos cuidados, que não demandam idas a mecânicas e gastos, podem ser tomados pelo próprio dono do automóvel”, ressalta.

Entre eles, incluem-se checagens dos níveis do óleo do motor, da água do limpador de pára-brisa, do líqüido de arrefecimento (refrigeração) e da calibragem regular dos pneus. “Esses pequenos procedimentos podem evitar grandes aborrecimentos e, principalmente, prejuízos”, considera Bórmio.

O engenheiro exemplifica que pneus fora da calibragem correta provocam seu desgaste irregular, aumento do consumo de combustível e até sobrecarga de diversos itens mecânicos. “É um efeito em cadeia imenso que pode ser evitado se rodarem nas pressões corretas recomendadas pelo fabricante”, enfatiza.

Já para as demais peças e componentes do veículo, Bórmio orienta a necessidade, acima de tudo, de planejamento e um mecânico de confiança. “Neste caso, o ideal é seguir o plano de manutenção dos fabricantes, programando-se e atentando-se para o período das trocas”, frisa o engenheiro.

Entretanto, ele destaca que é justamente neste momento que a seriedade do profissional responsável pela substituição das peças deve falar mais alto. “Nem sempre os itens que serão inspecionados nos períodos específicos de revisão, como pastilhas de freio e rolamentos, precisam ser trocados. Daí a importância de tratar com uma empresa ou mecânico de sua confiança”, frisa Bórmio.

Apesar disso, ele destaca que certos componentes mecânicos necessitam de substituições sistemáticas. Um deles é a chamada correia dentada, responsável pela sincronia de movimentação das partes móveis internas do motor, permitindo seu funcionamento correto. “Esta não tem jeito. Quando atinge a quilometragem máxima de utilização, sua troca é obrigatória”, diz.

Bórmio esclarece que, caso a correia quebre com o carro em movimento, pode provocar até a quebra do motor. “Várias peças podem se entortar e causar um dano extremamente caro para ser reparado - entre R$ 4 mil a R$ 5 mil -, que poderia ser evitado se a substituição fosse feita no período correto”, alerta o engenheiro. “É um custo benefício enorme, pois isso não exigiria mais que R$ 300,00”, acrescenta.

Os demais itens para os quais o dono do veículo deve adotar igual procedimento, conforme o engenheiro, são o fluido de freio, o óleo do motor e os filtros de óleo e combustível. “O restante, dependendo do seu estado, podem operar normalmente”, assegura Bórmio.

Até mesmo o comportamento ao volante faz parte da “cartilha” de princípios da manutenção preventiva. Arrancadas ou freadas bruscas só são eficientes para provocar maior desgaste mecânico. “É uma questão lógica. Se você é daqueles que sai rasgando em sinaleiros ou deixa para frear sempre em cima, saiba que tais hábitos, além de aumentar o consumo, abreviam a vida útil de uma série de componentes”, alerta o professor.

No entanto, apesar de todos estes cuidados estarem ao alcançe dos orçamentos domésticos, o engenheiro sustenta que muitos precisam conscientizar-se de um fato: é impossível não gastar com o veículo. “O carro é uma família. Em nome da segurança e da tranqüilidade ao rodar, é preciso dispender dinheiro”, argumenta Bórmio.

E complementa em tom enfático: “Por isso, quem não tem condições de efetuar a manutenção correta de um veículo não deveria nem tê-lo, pois estará colocando em risco não apenas sua própria vida, mas também a de muitos outros”, finaliza o engenheiro.

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Precavidos

Não importa a idade do carro, mas sim os cuidados e a atenção destinados a ele. Tal afirmação se encaixa perfeitamente ao engenheiro aposentado bauruense Roberto Cruz, um exemplo a ser seguido quando o assunto é manutenção preventiva.

Isso porque seu veículo, um Corcel II 85, está sempre em perfeitas condições mecânicas. “Cuidar dele é uma questão de bom senso e envolve até mesmo aspectos culturais. Não acho que agindo desta forma esteja fazendo algo extraordinário, pois todos deveriam proceder do mesmo jeito”, considera.

Para Cruz, os cuidados classificados por ele como essenciais para um automóvel, como a checagem dos níveis do óleo do motor e do líqüido de arrefecimento, entre outros, não deveriam nem ser encarados como manutenção. “São procedimentos que precisam ser naturalmente automáticos aos donos de veículos. É algo tão obrigatório como abastecer um carro”, enfatiza.

Outro aposentado que cuida do automóvel quase como um “filho” é o bauruense José Garcia. “Qualquer barulhinho diferente já corro para o mecânico para verificar se há algo errado”, conta. “Faço tudo nele para ficar com apenas uma preocupação: a de colocar combustível e sair rodando”, acrescenta.

Exemplo de seu esmero na manutenção do Gol 98 é a troca do óleo do motor. “Não espero vencer a quilometragem ou o período de utilização, pois o substituo antecipadamente. É melhor prevenir, pois o prejuízo mecânico de um propulsor sem óleo ou com ele ruim pode ser enorme”, afirma.

Além disso, Garcia ressalta ter cuidado especial com a forma de condução. “Não fico passando em lombadas a 60 km/h, ando em velocidades moderadas e deixo os apressadinhos me passarem. Para mim, o importante é chegar”, frisa.

Quem também possui a mesma mentalidade é o aposentado bauruense João Roberto Calze. “Rodar agressivamente só serve para desgatar o motor e a borracha dos pneus”, diz. Para ele, que semanalmente checa os itens básicos em seus automóveis, um Verona 91 e um Chevette, o custo benefício é a principal vantagem da manutenção preventiva.

“Deixar para consertar tudo de uma vez fica muito mais caro. É melhor gastar pouco durante o ano para ter o carro sempre em ordem e tranqüilidade para viajar. Não dá para contar com a sorte”, finaliza ele.

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