• Menos poder
O poder aquisitivo do brasileiro diminuiu nos últimos quatro anos afetado pela estagnação da renda e pelos reajustes de preços. A conclusão é da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. A pesquisa, realizada nas 12 principais capitais do País com uma amostra de 14 mil famílias, identificou que o brasileiro gastou menos nos últimos quatro anos com itens supérfluos e mais com artigos de primeira necessidade.
• Orçamento
Em 2003, o brasileiro passou a destinar 27,4% do orçamento para gastos com alimentação, contra 25,1% em 1999 (quando a edição anterior da pesquisa havia sido realizada). Alguns preços administrados - incluídos pela FGV no campo “habitação” - subiram até seis vezes mais do que a inflação acumulada entre 1999 e 2003, que ficou em torno de 50%. O gás de botijão subiu 223%, a eletricidade 136%, e o telefone, 75%.
• Gastos
No total, os gastos com os itens telefone fixo, gás, eletricidade e celular saltaram de 8% para 11% em quatro anos. Em função dessas altas, o brasileiro abriu mão do lazer e está gastando menos, por exemplo, em jogos lotéricos. Em 1999, de cada R$ 100,00, cerca de R$ 3,00 eram destinados à recreação, como cinema, teatro, shows, idas a estádio; em 2003, esses gastos recuaram para R$ 2,50.
• Assinatura
A pesquisa também revelou que os gastos com Internet e TV por assinatura praticamente triplicaram de um levantamento para outro. Esses itens não entram na classificação de “recreação” da FGV, mas na de “item diversos”. Em 2003, em termos brutos, o brasileiro gastou mais com Internet e TV a cabo ou satélite do que com arroz e feijão - mas esse recorte não tem validade científica.