Fala-se muito em beleza interior. Mas, na realidade, o que vem a ser essa tal beleza interior?
O conceito do belo reúne perfeição e harmonia e é utilizado em muitos sentidos.
Em estética, diz-se que uma pessoa é bonita quando suas formas e traços estão de acordo com o conceito de beleza da época. Estes conceitos vão mudando de tempos em tempos, fazendo com que a beleza não tenha um padrão totalmente estável.
Desta forma, procuramos estar dentro destes padrões sempre que possível, muitas vezes até fazendo sacrifícios. E colocamos num pedestal: peso ideal, pele de pêssego, cuidados com os cabelos, unhas, e roupas iguais às das vitrines e passarelas.
Apesar de um desejo, às vezes doentio e uma postura equivocada, sabemos que os cuidados com a beleza podem nos levar a uma vida muito mais saudável, pois é esta vida que poderá nos dar maior beleza.
Dessa forma, como o conceito se estendeu, concluímos que temos que nos completar interiormente. Vamos, então, em busca da beleza interior. A sutileza deste conceito torna a vigilância ainda mais forte. Temos que nos aprofundar nos estudos e aprimorar nossos melhores instintos humanos. Preparamos não apenas a maquiagem, mas sim o olhar, a forma de olhar.
Através de atitudes elegantes, amigas, gentis, piedosas, humoradas e alegres. Esta é a forma de beleza que poderá exaltar ou excluir qualquer outra.
Nos tempos de hoje, a qualidade de vida é uma preocupação evidente e a busca para isto nos faz, a cada dia, procurar mais e mais alternativas, seja através da medicina, da estética, da natureza, ou dos seres humanos. A força do desejo coletivo faz o colorido, o aroma e o sabor, traduzindo em nós a verdadeira beleza, que nada mais é do que a qualidade de energia que se possa ter e passar.
Duelo
Enfim, falar de beleza interior é uma questão muito subjetiva. Às vezes, nos deparamos com pessoas perfeitas e de acordo com os padrões impostos pela sociedade ou pela moda. Mas que, nem sempre, achamos tão bela assim. Em outros casos, as pessoas fora dos padrões ou que não são tão harmônicas são maravilhosas.
“O que determina isso é quanto a pessoa se apóia, se aprova e se gosta. Acreditem ou não”, afirma a psicóloga Ana Cristina Pereira.
O critério para uma pessoa parecer bonita, mesmo que ela não tenha características de beleza dentro de um padrão institucional, é essa coisa do estrondo, o it, uma gíria falada antigamente, mas que determinava o magnetismo pessoal, encanto, fascínio, charme.
“Você tem um it, um sex apeal, um outro tipo de beleza que não requer uma estética. Isso é o nível de auto-aprovação que a pessoa tem”, salienta.
Dessa maneira, a psicóloga aponta que a pessoa pode tornar-se bonita a qualquer momento e ficar feia da mesma forma, isso só depende do nível de satisfação consigo mesma.
“Mas existe uma fase de equívoco. Pessoas que na infância foram muito aprovadas, apoiadas e incentivadas crescem com uma noção, chamada de ego exacerbado, onde as pessoas ficam “se achando”. E de fato, acaba sendo mais profundo do que apenas se achar, acaba dando uma certa arrogância.”
Segundo Ana Cristina, essas pessoas são aquelas que nunca levaram um não, foram muito mimadas, nunca foram contrariadas pela família, que sempre as apaparicou e que, no final, acabam apanhando da vida e precisam trabalhar esse problema.
A psicóloga reafirma que a beleza interior é uma coisa mais profunda e que o processo de aceitação e aprovação de si mesmo precisa ser intenso e total, avaliando inclusive defeitos e inabilidades.
“É aceitar-se mesmo. Isso parece que dá um brilho especial na pessoa independente dela ser bonita ou não, porque perfeito, perfeito, não existe.”
Ela aponta que os padrões de perfeição feminino hoje estaria em torno da modelo Gisele Bündchen ou da atriz Maria Fernanda Cândido e que os homens se pautariam pelos atores Thiago Lacerda ou Brad Pitt, numa escolha difícil, num padrão questionável.
Afinal, se olharmos para Gisele Bündchen, por exemplo, ela tem mais auto-aprovação, personalidade e postura do que beleza de fato. Se olharmos os traços, o nariz, etc.
Iluminadas
Muitas pessoas parecem ser iluminadas, literalmente se acendem ao chegar em algum lugar. Elas são pessoas que se conhecem, que já olharam para si mesmas e se decifraram.
“Isso não é muito comum, mas tem pessoas que são assim inconscientemente. Não dá para julgar, mas a probabilidade da Gisele ter um autoconhecimento profundo é muito difícil em virtude até da idade e do mundo movimentado em que ela vive.”
Entretanto, a top model conta com fatores externos que reafirmam o que vem de dentro e promovem a manutenção de sua beleza.
A psicóloga também ressalta o lado guerreiro e batalhador da modelo que é outro fator que dá a sensação de iluminação.
Feios
Uma pessoa que se olha no espelho e se acha feia, ela será feia.
Apesar da explosão de livros de auto-ajuda, filósofos como Goethe já fazia afirmações do tipo: “você é aquilo que você crê, pensa”.
“Isso não é recente. Nos anos 80, houve uma onda de exaltação dizendo que você tinha que se amar, se achar lindo... rendeu esse monte de livros que existe por aí, mas isso é muito antigo. Aliás, é milenar. Isso foca a verdade absoluta de que o homem é aquilo que ele crê. O sucesso depende disso. A saúde depende disso. Tudo depende de onde você foca a sua atenção, ao que você dá crédito”, explica a psicóloga Ana Cristina.
Muitos desses créditos e crenças já vêm desde a gestação e se formam durante a vida. Por isso o grande desafio do conhecimento do ser humano ao ponto dele saber reprogramar seu subconsciente, suas crenças, bloqueios e preconceitos.
“As frases que você fala, refletem suas crenças. Falar que não vai dar certo, em 80% dos casos, vai determinar o sucesso ou o fracasso. A palavra tem poder, mas muito mais poder que a palavra, tem a sua mente, as suas crenças e a tudo isso está ligada essa tal beleza interior. Se você se acha feio, não há quem vá mudar isso aí. Podem ser feitas mil plásticas, que você vai continuar insatisfeito.”
Karen Carpenter morreu de anorexia por não se aceitar, por mais que as pessoas dissessem e o espelho mostrasse, ela não se acreditava magra. Símbolo sexual Marylin Monroe também lança questionamentos. Afinal, morreu em decorrência do uso de calmantes por motivos até hoje não explicados.