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Médicos defendem regras rígidas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O coordenador da Câmara Técnica sobre Produtos e Técnicas em Procedimentos Estéticos do Conselho Federal de Medicina (CFM), Antônio Pinheiro, explica que as novas normas para a realização da cirurgia de lipoaspiração pretendem regular o comportamento médico no que diz respeito ao uso de produtos e técnicas que, meteoricamente, aparecem e desaparecem do mercado na área da medicina estética.

Em entrevista à Agência Folha, ele salientou que os pacientes devem desconfiar de profissionais que propõem “soluções mágicas” para o emagrecimento. “O que ele (o médico) tem que fazer é explicar os limites da ciência. Isso pode ser feito conversando francamente em uma linguagem acessível ao paciente”, defende.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Sérgio Carreirão, lembra que a técnica não opera milagres, que não é um toque de mágica. “É um absurdo a pessoa procurar o cirurgião querendo perder oito, dez quilos numa lipoaspiração. Se me procuram com essa idéia, eu encaminho para o endocrinologista para emagrecer. Depois, se precisar, se houver gordura localizada, aí sim nós fazemos a lipo”, comenta.

Outro problema destacado por Carreirão é que muitas cirurgias têm sido realizadas por profissionais que não têm a devida habilitação. “O procedimento é de competência da cirurgia plástica. O médico tem que ser bem formado para isso. Ele faz seis anos de faculdade de medicina, mais cinco anos de especialização em cirurgia geral e cirurgia plástica. São 11 anos de estudo para uma capacitação adequada”, alerta.

O cirurgião plástico Carlos Augusto Cameschi, de Bauru, concorda. “Temos ouvido histórias absurdas de cirurgias com aspiração de volumes enormes de gordura e muita gente morreu por conta disso. É muito salutar essa resolução. pois a determinação de limites e critérios diminui os riscos do procedimento e isso significa mais segurança ao paciente”, acrescenta.

Mas para a maioria dos cirurgiões plásticos ouvidos pela reportagem, a resolução não representa mudanças significativas. É o que comenta o cirurgião plástico Valter Luiz Curvêllo, de Bauru.

“Na minha opinião, o CFM regulamentou o óbvio. Quando o médico francês Yves Gerard Illouz apresentou a técnica ao mundo, em 1980, houve uma empolgação muito grande. Em pouco tempo, percebeu-se que era perigoso retirar volumes grandes de gordura e logo ficou provado que era preciso seguir parâmetros mais criteriosos”, observa.

Ele afirma que o profissional que tem a formação em cirurgia plástica sabe dos limites da lipoaspiração como técnica de extração da gordura localizada excedente. “Os casos absurdos que ouvimos de perfurações indevidas e mortes foram protagonizados por pessoas que não tinham a formação necessária e que até perderam o direito de exercer a profissão em função desses abusos”, lembra.

Curvêllo destaca que a evolução das técnicas, dos exames e das drogas anestésicas tem reduzido os riscos cirúrgicos ano após ano. Mas reforça que todo procedimento invasivo tem uma margem de risco que não pode ser ignorada.

“O especialista é habilitado para prevenir, identificar e tratar complicações. O maior problema da lipoaspiração é quando ela é praticada por mãos inábeis, porque há pelo menos 12 anos todo cirurgião plástico conhece e segue os critérios de segurança”, enfatiza.

A posição é compartilhada pelo também cirurgião plástico Bashir Mussa Gazi. “Os critérios apresentados pela resolução estão em qualquer livro ou curso de cirurgia plástica. São normas essenciais e que são seguidas à risca por todos os cirurgiões plásticos. Eu aprendi e sigo essas normas desde que me formei e me especializei. Existe uma legislação para nos punir se tivermos qualquer atitude inadequada”, observa.

“Mas, infelizmente, temos visto a lipoaspiração ser realizada por muitas pessoas não-habilitadas e isso acontece em larga escala. Acho que o mérito da resolução está aí: impossibilitar que pessoas não qualificadas executem o procedimento, o que vem acontecendo em larga escala no País”, acrescenta.

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