Regional

Botucatu é pioneira em orgânicos no País

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O consultor e empresário Hans Jörg Blaich é um “desbravador” no segmento de orgânico e biodinâmico. Há 30 anos, ele e Marco Bertálo desembarcaram em Botucatu para montar a primeira fazenda orgânica e biodinâmica brasileira. “Eu estudei agricultura biodinâmica na Holanda e fiz pedagogia voltada a crianças especiais na Europa. Vim para montar a Estância Demétria.”

A estância, de propriedade da Associação Beneficente Tobias, tinha a finalidade de introduzir no País o método biodinâmico, uma agricultura que existe há muito tempo na Europa. “Durante 25 anos administrei a fazenda com o colega. Depois, voltei para a Holanda onde fiquei por três anos. Agora, estou retornando como consultor e empresário.”

Atualmente, a Fazenda Demétria é um aglomerado de pequenas propriedades com a mesma filosofia. “São pequenos produtores orgânicos. Temos produção de pães, cereais, verduras, legumes e leite e seus derivados, além de uma escola, restaurante, pousada e reciclagem de lixo. Estamos tentando reconstruir.”

Ele explica que a biodinâmica teve origem em uma filosofia, mas a base dela é a agricultura orgânica. “A biodinâmica tem algo a mais. Trabalha com os preparados que são uma coisa comparada à homeopatia. Usa-se produtos que ajudam a decomposição do composto de forma equilibrada, usa-se a influência dos astros. É uma complementação da agricultura orgânica.”

Já os orgânicos, segundo ele, protegem o solo contra erosão, mantêm a fertilidade, enquanto a agricultura convencional usa e explora o solo. “O convencional é carregado de agrotóxico que fornece um crescimento desequilibrado desde a origem. Com o uso do adubo químico, a planta cresce de forma doentia e o agricultor é obrigado a usar agrotóxico para mantê-la viva.”

Para exemplificar melhor, ele compara as plantações convencionais com uma criança mal alimentada. “A criança mal alimentada adoece e para curá-la é preciso dar um antibiótico.”

Desde a origem

Os adubos químicos usados pela agricultura convencional é substituído pelo adubo orgânico, fruto da compostagem, cerne da idéia de agricultura sem agrotóxico. Para obter o adubo, é preciso esterco de animal, partes verdes e compostos de chifre de boi e outras substâncias que dão resistência às plantas, evitando as pragas e doenças.

O sistema de compostagem, a grosso modo, explica o produtor Marcelo Veríssimo da Costa, é totalmente natural. “Nós produzimos na propriedade. A compostagem é feita em camadas e demora, em média, 15 dias para poder ser usada nos canteiros.”

As plantas extraem do solo, pelo sistema, tudo o que precisam para cresceram fortes e sadias. “A água usada para rega é de mina, sem qualquer tipo de contaminação.”

Benefícios diretos

Os produtos orgânicos são, antes de tudo, um remédio natural, acredita o casal Gisele Maria de Oliveira Almeida e Mário Eduardo Paraíso de Almeida. Há três anos, eles optaram por uma vida mais saudável e os resultados foram imediatos. “Eu sentia muita dor por ter uma úlcera duodenal. Depois que passei a ter uma alimentação mais saudável, sem agrotóxico, não sinto dores”, confessa Almeida.

Para eles, o sabor das frutas, verduras e legumes orgânicos é o que mais atrai. “A cenoura e a beterraba são mais doces. A banana dura mais tempo sem estragar.”

A mesma opinião tem a bióloga aposentada Terue Sadatsune que não deixa de ir à feira todos os sábados para comprar os orgânicos. “São mais saudáveis e saborosos.”

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