Saúde

Governo quer qualificar maternidades do País

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Outra meta anunciada pelo Ministério da Saúde no intuito de reduzir a mortalidade materna e neonatal no País é a busca da excelência nas maternidades brasileiras.

De acordo com a Agência Saúde, uma das medidas será qualificar mais de 500 hospitais de pequenos municípios. “A principal atividade desses hospitais é o parto”, afirma o diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (Dape) do ministério, Fernando Vasconcelos.

Paralelamente, o governo pretende garantir que as maternidades tenham e respeitem as condições mínimas para segurança da saúde de mães e recém-nascidos. “Há maternidades que prestam um bom atendimento às mães, mas não fazem o mesmo com os bebês. O contrário também ocorre. É preciso excelência nos cuidados tanto com as mulheres, quanto com os filhos”, afirma.

A capacitação profissional também faz parte do Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna e Neonatal. Segundo Vasconcelos, muitos médicos saem da faculdade sem saber realizar um parto. Para ele, as escolas têm de preparar tanto médicos quanto enfermeiras para acompanhar partos naturais.

Ao mesmo tempo, ele considera necessário que os obstetras tenham uma boa formação clínica. “Muitas mulheres morrem porque o obstetra não identifica nelas a presença de outros agravos”, comenta.

Aprimorar o sistema de vacinação também está na agenda das metas do governo para evitar que gestantes e bebês contraiam doenças. Um exemplo é a rubéola. Contraída durante a gestação, a doença pode provocar diversas alterações no feto. Outra doença grave é o tétano neonatal. São problemas que podem ser facilmente evitados com a vacinação em massa de mulheres em idade fértil.

O atendimento à mulher em situação de aborto é outra prioridade apontada pelo ministério. Segundo a Agência Saúde, o aborto aparece como uma das quatro causas de morte mais freqüentes entre as gestantes.

A lei brasileira prevê que vítimas de estupro e gestantes que correm risco de vida decorrente da gravidez têm direito a se submeter ao aborto. Porém, pouquíssimas unidades públicas de saúde estão preparadas para oferecer esse serviço no País, segundo a assessoria.

O número insuficiente de serviços para o atendimento da mulher vítima de violência somado ao uso inadequado de métodos anticoncepcionais têm levado à ocorrência de grande número de gestações indesejadas, à realização de abortos clandestinos e à recorrência de gravidez de alto risco em mulheres que não deveriam engravidar. Tudo isso só faz aumentar os registros de morte materna.

Vasconcelos admite que a batalha pela redução dos índices de mortalidade materna e neonatal não é fácil. “As estatísticas não vão cair para 20 mortes materna em 100 mil nascidos vivos - o padrão aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - de uma hora para outra”, declara.

“Isso é um trabalho que precisa ser planejado para o curso de pelo menos uma década”, prevê. Mesmo assim, ele diz acreditar que o empenho do governo e da sociedade pode reverter esse cenário.

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