Geral

Educador defende lúdico no dia-a-dia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Brincar é a melhor receita que o educador físico Edson Vitor, o Edinho Paraguassu, dá para quem quer ter uma vida feliz e saudável. Professor e consultor em administração sócio-cultural, ele esteve em Bauru anteontem para ministrar a palestra “Recreação e Lazer”, dentro do projeto Super Férias do Serviço Social da Indústria (Sesi).

“O lúdico antecede o próprio homem. Você pode observar que todos os animais brincam - filhotes e adultos. E eles têm regras para a brincadeira, se um dá uma mordida mais forte, o outro reclama. Faz parte da natureza animal”, comenta.

Autor do CD “Brinquedo” e do vídeo “Rodas cantadas, brincadeiras e aeróbica recreativa” e docente nos cursos de turismo, hotelaria e lazer da Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, Paraguassu defende que a brincadeira deve fazer parte da rotina humana dos primeiros aos últimos anos de vida, seja no lazer, em casa ou no trabalho.

Ele desenvolve projetos que tentam resgatar brinquedos e brincadeiras folclóricas como atividades de estímulo ao desenvolvimento motor, cognitivo, emocional, criativo e social dos indivíduos. “Brincando, você consegue trabalhar diversas habilidades físicas e cognitivas naturalmente”, comenta.

Na segunda parte da palestra, Paraguassu espalhou inúmeros brinquedos no salão e incentivou os participantes não só a brincar, mas também a criar, construir e pintar seus brinquedos. “O ser humano precisa ser sujeito da brincadeira, ele precisa ser protagonista. O brinquedo não brinca sozinho”, alerta.

Para ele, a sociedade contemporânea cometeu um grave erro quando associou trabalho a sofrimento, enquanto as atividades voltadas ao prazer tornaram-se sinônimo de ociosidade. “Você nunca se pegou culpado e incomodado num domingo à noite, pensando que o fim de semana passou e você não fez nada? É como se ficar à-toa, descansando e se divertindo fosse algo inútil”, exemplifica.

Ele comenta que a rotina mais comum no mundo moderno é sair de casa pela manhã, trabalhar o dia todo, voltar para casa à noite e entregar-se à televisão. “A pessoa não vê nada, só olha. você pergunta o que está passando, ele responde ‘não sei, não estava prestando atenção’. Quer dizer, é um morto-vivo”, observa.

Como educador, ele defende que o estímulo à brincadeira desde cedo transforma crianças em adultos mais saudáveis. “Aos 44 anos, eu disputava algumas modalidades com um grupo na faixa etária entre 18 e 25 anos e minha performance física era muito melhor que a deles. Claro, pois eles não tiveram vida ativa que eu tive. Não pularam muro, não subiram em árvores, não pularam corda”, lamenta.

Paraguassu acha que tanto os pais, quanto as escolas precisam inserir mais brincadeiras em seu dia-a-dia. “Tenho um filho de seis anos. Ele sempre me chama para jogar. Se estou cansado ou ocupado, ele liga a televisão. Uma vez largado diante da TV, para tirá-lo de lá tenho que propor algo muito atraente. E isso acontece muito hoje”, comenta.

“Além dos pais estarem cansados pelo trabalho, as dificuldades de acesso aos brinquedos ficam cada vez maiores, tanto pela falta de tempo como pela distância até os locais de lazer. A saída é incentivar clubes e escolas a ampliar a oferta de atividades lúdicas”, sugere.

Música e movimento

Uma das ferramentas usadas pelo educador para incentivar a atividade física de maneira lúdica é a música. “A música preenche a alma e todo ser humano reage a ela com o movimento”, comenta.

Este é o objetivo do CD “Brinquedo”, editado por ele. “Através da música, com muito entusiasmo, eu facilito as pessoas, independente da faixa etária, uma oportunidade prazerosa de brincar com o próprio corpo”, conta.

Ele resgata antigas brincadeiras em que a letra ordena que se faça este ou aquele movimento. Como a velha “carneirinho, carneirão, olhai para o céu, olhai para o chão, pedi a Deus, nosso senhor para todos se ajoelharem”. Em cada estrofe, um verbo diferente e uma ação diferente: levantar, sentar e assim por diante.

A proposta de Paraguassu é que o lúdico faça parte da rotina humana nas mais diversas áreas de atuação. “O sedentarismo é um dos fatores que mais matam hoje. Crianças que brincam mais tornam-se mais ativas e adotam isso como estilo de vida por toda a vida”, encerra.

‘Explore o verão’

A palestra “Recreação e Lazer” faz parte das atividades sócio-educativas do Serviço Social da Indústria (Sesi). De acordo com o supervisor regional de esportes e lazer, José Carlos de Freitas, o Sesi desenvolve projetos sazonais. As ações atuais fazem parte da campanha “Explore o verão”.

“Temos o projeto da ‘Paz’, que trabalha pelo acidente zero nos balneários. Temos o ‘Vida saudável’, que tem atividades de ginástica. E temos o ‘Super férias’, que desenvolve ações voltadas para crianças a partir de 5 anos de idade”, explica.

Segundo ele, a visita de Edson Vitor, o Edinho Paraguassu, teve como objetivo difundir conhecimentos e incentivar pais e filhos usuários do Sesi a resgatar brincadeiras e jogos antigos como opção de aprendizado natural nos momentos de lazer. O trabalho tem sido levado a diversas unidades do Sesi no Estado.

Comentários

Comentários