Brincar é a melhor receita que o educador físico Edson Vitor, o Edinho Paraguassu, dá para quem quer ter uma vida feliz e saudável. Professor e consultor em administração sócio-cultural, ele esteve em Bauru anteontem para ministrar a palestra “Recreação e Lazerâ€, dentro do projeto Super Férias do Serviço Social da Indústria (Sesi).
“O lúdico antecede o próprio homem. Você pode observar que todos os animais brincam - filhotes e adultos. E eles têm regras para a brincadeira, se um dá uma mordida mais forte, o outro reclama. Faz parte da natureza animalâ€, comenta.
Autor do CD “Brinquedo†e do vídeo “Rodas cantadas, brincadeiras e aeróbica recreativa†e docente nos cursos de turismo, hotelaria e lazer da Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, Paraguassu defende que a brincadeira deve fazer parte da rotina humana dos primeiros aos últimos anos de vida, seja no lazer, em casa ou no trabalho.
Ele desenvolve projetos que tentam resgatar brinquedos e brincadeiras folclóricas como atividades de estímulo ao desenvolvimento motor, cognitivo, emocional, criativo e social dos indivíduos. “Brincando, você consegue trabalhar diversas habilidades físicas e cognitivas naturalmenteâ€, comenta.
Na segunda parte da palestra, Paraguassu espalhou inúmeros brinquedos no salão e incentivou os participantes não só a brincar, mas também a criar, construir e pintar seus brinquedos. “O ser humano precisa ser sujeito da brincadeira, ele precisa ser protagonista. O brinquedo não brinca sozinhoâ€, alerta.
Para ele, a sociedade contemporânea cometeu um grave erro quando associou trabalho a sofrimento, enquanto as atividades voltadas ao prazer tornaram-se sinônimo de ociosidade. “Você nunca se pegou culpado e incomodado num domingo à noite, pensando que o fim de semana passou e você não fez nada? É como se ficar à-toa, descansando e se divertindo fosse algo inútilâ€, exemplifica.
Ele comenta que a rotina mais comum no mundo moderno é sair de casa pela manhã, trabalhar o dia todo, voltar para casa à noite e entregar-se à televisão. “A pessoa não vê nada, só olha. você pergunta o que está passando, ele responde ‘não sei, não estava prestando atenção’. Quer dizer, é um morto-vivoâ€, observa.
Como educador, ele defende que o estímulo à brincadeira desde cedo transforma crianças em adultos mais saudáveis. “Aos 44 anos, eu disputava algumas modalidades com um grupo na faixa etária entre 18 e 25 anos e minha performance física era muito melhor que a deles. Claro, pois eles não tiveram vida ativa que eu tive. Não pularam muro, não subiram em árvores, não pularam cordaâ€, lamenta.
Paraguassu acha que tanto os pais, quanto as escolas precisam inserir mais brincadeiras em seu dia-a-dia. “Tenho um filho de seis anos. Ele sempre me chama para jogar. Se estou cansado ou ocupado, ele liga a televisão. Uma vez largado diante da TV, para tirá-lo de lá tenho que propor algo muito atraente. E isso acontece muito hojeâ€, comenta.
“Além dos pais estarem cansados pelo trabalho, as dificuldades de acesso aos brinquedos ficam cada vez maiores, tanto pela falta de tempo como pela distância até os locais de lazer. A saída é incentivar clubes e escolas a ampliar a oferta de atividades lúdicasâ€, sugere.
Música e movimento
Uma das ferramentas usadas pelo educador para incentivar a atividade física de maneira lúdica é a música. “A música preenche a alma e todo ser humano reage a ela com o movimentoâ€, comenta.
Este é o objetivo do CD “Brinquedoâ€, editado por ele. “Através da música, com muito entusiasmo, eu facilito as pessoas, independente da faixa etária, uma oportunidade prazerosa de brincar com o próprio corpoâ€, conta.
Ele resgata antigas brincadeiras em que a letra ordena que se faça este ou aquele movimento. Como a velha “carneirinho, carneirão, olhai para o céu, olhai para o chão, pedi a Deus, nosso senhor para todos se ajoelharemâ€. Em cada estrofe, um verbo diferente e uma ação diferente: levantar, sentar e assim por diante.
A proposta de Paraguassu é que o lúdico faça parte da rotina humana nas mais diversas áreas de atuação. “O sedentarismo é um dos fatores que mais matam hoje. Crianças que brincam mais tornam-se mais ativas e adotam isso como estilo de vida por toda a vidaâ€, encerra.
‘Explore o verão’
A palestra “Recreação e Lazer†faz parte das atividades sócio-educativas do Serviço Social da Indústria (Sesi). De acordo com o supervisor regional de esportes e lazer, José Carlos de Freitas, o Sesi desenvolve projetos sazonais. As ações atuais fazem parte da campanha “Explore o verãoâ€.
“Temos o projeto da ‘Paz’, que trabalha pelo acidente zero nos balneários. Temos o ‘Vida saudável’, que tem atividades de ginástica. E temos o ‘Super férias’, que desenvolve ações voltadas para crianças a partir de 5 anos de idadeâ€, explica.
Segundo ele, a visita de Edson Vitor, o Edinho Paraguassu, teve como objetivo difundir conhecimentos e incentivar pais e filhos usuários do Sesi a resgatar brincadeiras e jogos antigos como opção de aprendizado natural nos momentos de lazer. O trabalho tem sido levado a diversas unidades do Sesi no Estado.