Economia & Negócios

Desemprego desafia os candidatos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 6 min

Atualmente, pelo menos 10 mil pessoas estão desempregadas ou vivendo da economia informal em Bauru. A estimativa, feita pelo economista Reinaldo César Cafeo, mostra que a cidade segue os mesmos patamares do País, que, um ano após o governo do Partido dos Trabalhadores (PT), ainda não conseguiu resolver esse problema, que deverá estar no centro das discussões das eleições municipais deste ano e será um desafio para os candidatos.

Cafeo destaca que não há dados específicos com relação a esses números em Bauru, mas que a situação não foge muito do que acontece no restante do Brasil. “O que acreditamos é que o problema seja menos grave que em outras regiões do País, mas, mesmo assim, é preocupante”, ressalta.

Pesquisas realizadas pelo Instituto Sensus e pelo Ibope em todo o País, no final de 2003, mostraram que a grande expectativa do brasileiro para este ano é com relação à criação de empregos. No entanto, os trabalhadores se deparam com uma questão que retarda ainda mais a busca por alternativas para o caso. Neste ano, o Brasil terá eleições municipais, ou seja, não há muitas expectativas sobre planos de governo que visem uma política eficaz de combate a esse mal, já que ele é tratado como pertencente à esfera federal.

Embora o desemprego não seja uma questão apenas de foro municipal, Cafeo lembra que as ações devem começar pelos municípios. “O poder público municipal é a esfera política mais próxima do cidadão e é a partir dela que devem ser criadas ações concretas para combater o desemprego”, diz.

O diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), regional Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, concorda com o economista. Para ele, falta mais conscientização e conhecimento fundamentado da administração municipal com relação à situação do setor industrial de Bauru. â€œÉ um dos segmentos que mais geram emprego na cidade e não tem recebido a atenção merecida”, salienta.

Ele enumera uma série de medidas que, aparentemente, não teriam ligação direta com o incentivo às empresas, mas que melhorariam a estrutura do município, favorecendo, indiretamente o setor industrial.

“Seria importante, por exemplo, ampliar as áreas industriais para fora dos distritos; reduzir as tarifas de água e esgoto, que atualmente estão altíssimas para o setor e, até mesmo, implantar o passe-integração, que ajudaria a diminuir os custos dos empresários”, destaca.

Demissões

Em 2003, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Bauru e Região registrou menos demissões que em 2002. De acordo com o diretor financeiro da entidade, Paulo Vieira Lima, foram homologadas 470 rescisões contratuais no ano passado contra 597 em 2002, uma redução de 21% aproximadamente.

No entanto, Lima destaca que isso não é motivo para comemoração. “Na verdade, no estágio atual, ficaríamos felizes se houvesse mais contratações e nenhuma demissão, pois precisamos gerar emprego”, defende.

O caso da indústria de massas alimentícias Frescarini, que, no último dia 9, fechou as portas e transferiu sua estrutura de Bauru para a Argentina, deixando um saldo de 184 desempregados, só veio a piorar ainda mais a situação. “Além de não vir novas empresas para cá, as poucas que existem estão indo embora da cidade”, frisa Lima.

Ele salienta que esse problema não é um caso isolado. “Nos últimos anos, Bauru vem perdendo gradualmente suas empresas para as cidades vizinhas, como Botucatu e Marília”, lembra.

O sindicalista destaca que o setor industrial é um dos que mais empregam na cidade, informação confirmada pela proprietária de uma empresa de recursos humanos de Bauru.

Lima acredita que está faltando uma boa estratégia de marketing para o município. “Bauru é o coração do Estado. Temos de mostrar isso ao empresariado, incentivar a vinda de indústrias para cá.”

Já o diretor do Ciesp, José Luiz Miranda Simonelli, sugere ao prefeito que assumir o cargo em 2005 para que deixe de lado as picuinhas políticas e aposte mais nas prioridades dos empresários. “Tem de tirar esse manto partidário e lutar mais pela causa. Se for preciso reivindicar junto ao governador, que o faça. Se precisar pedir ao presidente, que ele peça sem constrangimentos políticos”, afirma.

Indústria sai na frente

Daniela Gibin Duarte, proprietária de uma empresa de recursos humanos de Bauru, destaca que nesse começo de ano o setor industrial é o que mais tem requisitado funcionários. “Ao contrário de julho do ano passado, quando ficou estático, esse segmento começou o ano contratando bem mais que os outros setores”, diz.

Segundo ela, os pedidos chegam a 20, 30 funcionários por semana, quantidade considerada muito relevante. “Essa reação está sendo notada de novembro para cá”, ressalta.

Especialista no recrutamento de trabalhadores, Duarte destaca que o mercado está pedindo um profissional muito mais empenhado no desenvolvimento da empresa. “Hoje, o que se espera de um candidato a uma vaga é que ele possa ser versátil e tenha flexibilidade para defender a sua atuação na empresa”, conta.

Segundo ela, as companhias exigem boa capacidade para trabalhar em equipe, pois desejam formar times afiados de funcionários. “Não adianta mais ser excelente naquilo que faz, mas não saber trabalhar em equipe”, frisa.

A formação profissional é quesito de desempate na hora da disputa. Quanto maior o grau de estudo, maior será a vantagem sobre o concorrente. â€œÉ importante estar sempre buscando o aperfeiçoamento profissional, investindo em cursos que possam melhorar o seu desempenho no mercado de trabalho.”

Prefeitura aposta nas exportações

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, diz que a Prefeitura de Bauru tem feito a sua parte para tentar sanar o desemprego. Segundo ele, há várias ações sendo implementadas no sentido de incentivar o crescimento do setor econômico da cidade. “O desemprego não é privilégio de Bauru, é um problema que passa pela questão da economia nacional”, frisa.

Malandrino destaca que, entre as metas de trabalho da secretaria, está a divulgação do potencial de exportação das empresas da cidade para missões internacionais de empresários. “Estamos participando de vários encontros com empresários estrangeiros para tentar fechar contratos de exportação”, diz o secretário.

Ele acredita que, aumentando a produção de material para o mercado externo, haverá um estímulo na economia local, privilegiando a contratação de trabalhadores.

Apesar de já estar no último ano de mandato, o atual prefeito não coleciona fatos marcantes no quesito econômico. De acordo com os próprios números da secretaria, nos últimos quatro anos a administração municipal doou 60 áreas para construção de empresas, sendo que apenas 10 foram para companhias de fora se instalarem na cidade.

Aproveitando os últimos meses dessa gestão, Malandrino diz que pretende fechar uma parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) para a transferência de tecnologia para o setor produtivo. “O jeito mais rápido de gerar desenvolvimento é investir em tecnologia. E a universidade poderá auxiliar nisso”, destaca.

Ele diz que em março deverá ser lançado um programa com esse intuito na cidade. “Já estamos viabilizando esse processo.”

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