Política

Deputado pede envolvimento no projeto Escola da Família

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

O Programa Escola da Família, que abre as portas das escolas estaduais à comunidade nos finais de semana e está entrando no seu segundo ano, ainda precisa de maior participação da população. A cobrança foi feita pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que ontem percorreu várias unidades de ensino de Bauru para acompanhar as atividades desenvolvidas e as condições dos prédios, principalmente das quadras esportivas, equipamento que ele considera muito importante para o projeto. “A prática de esportes é fundamental, envolve as pessoas e desenvolve valores”, disse.

De quebra, o deputado ouviu pedidos dos diretores de escolas. Segundo dados da Diretoria Regional de Ensino, cerca de 150 universitários estão participando da iniciativa como munitores e recebem uma bolsa-auxílio para os estudos. A dirigente de ensino Marilene Guerrero afirma que o número de universitários será ampliado ainda neste primeiro semestre e 100 novas vagas para bolsistas deverão ser abertas no município.

Além dos universitários, mais de 120 voluntários entre pais, profissionais e até alunos de séries mais avançadas participam do programa. As pessoas que tiverem interesse em ser voluntárias do projeto podem se inscrever nas escolas a qualquer momento. Para fazer parte das atividades não é necessário ser aluno ou parente de aluno. As escolas estão abertas a qualquer membro da comunidade.

Em Bauru, 49 escolas participam do programa, que tem como objetivo oferecer à comunidade atividades esportivas, de lazer, culturais e pedagógicas nos fins de semana, das 9h às 17h, transformando as unidades de ensino espaços de convivência.

Aulas de culinária, ponto cruz, fuxico, sessões de cinema e atividades esportivas desenvolvidas dentro do Programa Escola da Família estão fazendo com que pais, mães e até avós de alunos ou membros da comunidade em geral voltem à escola para aprender e fazer novos amigos.

Na manhã de ontem, na escola estadual Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, pais e mães assistiam com seus filhos uma sessão de cinema com direito à pipoca. Segundo as monitoras, os filmes e os computadores da oficina de informática são as atividades mais procuradas pelos moradores do bairro. A escola ainda oferece aulas de violão, capoeira, teatro, coral, artes, culinária e pintura.

A dona de casa Cidnéa Margareth afirma que desde que a escola passou a ficar aberta, todo final de semana faz companhia às filhas Ana Carolina, 8 anos, e Iara Talita, 11 anos. Ela conta que a caçula faz tudo o que o programa oferece e a mais velha fica encantada com os computadores.

“Eu acho ótimo poder ficar aqui, já aprendi a fazer crochê e a bordar”, comemora.

Mesmo sem ter filhos em fase escolar, Almir Mendonça freqüenta a escola com os pequenos para dar uma oportunidade sadia das crianças brincarem em segurança. Segundo ele, os filhos mais velhos começam a estudar este ano e a caçula Jessica, vai para o parquinho.

Renda extra

No Jardim Europa, um grupo de mães já comemora as primeiras vendas com toalhas e bolsas artesanais que aprenderam a fazer a escola Luiz Braga, durante as oficinas de fuxico e ponto cruz.

A doméstica Cilmir Oliveira Santos Costa, 37 anos, que cursa o supletivo na escola Eduardo Velho Filho, começou a freqüentar as aulas de fuxico no final do ano passado quando o filho de 11 anos que estuda na Luiz Braga contou-lhe sobre o projeto.

“Já consegui uns troquinhos e tenho mais encomendas para as bolsas”, diz orgulhosa, arrematando um fuxico. Ela só lamenta não ter muito tempo para executar o trabalho, pois além de trabalhar fora, cuida da casa e estuda à noite. “Levo uns quatro dias para acabar, se tivesse mais tempo venderia mais”.

Quem também tem encomendas é a dona de casa Ester Bento de Camargo Oliveira, 24 anos, que aprendeu a fazer fuxico na Luiz Braga e já ministrou oficinas dentro do programa Escola da Família na escola Ana Rosa Zuicker DAnnunziata, mesmo sem ter filhos em idade escolar.

“Eu não sabia pegar numa agulha”, diz Patrícia Rigui Gonçalves, 27 anos, mãe de um aluno da 2ª série do ensino fundamental. Agora, ela já bordou duas tolhas.

Além das atividades já existentes (xadrez, futebol de salão, basquete, violão e jogos lúdicos) a educadora profissional Fernanda Roveda, que coordena o programa na escola, aponta que a meta é implantar nas próximas semanas aulas de culinária, reforço escolar e um programa de alfabetização para jovens e adultos.

A diretora Maria Angélica Rabelo está viabilizando uma parceria para que um carro de som percorra o bairro anunciando as atividades desenvolvidas na escola, pois quer multiplicar o número de participantes do projeto. Ontem, ela lamentava ter pouco cerca de 50 pessoas na escola.

Terceira idade e grafite

Na escola Francisco Antunes, na Bela Vista, a freqüência nos finais de semana gira em torno de 150 pessoas afirma a educadora profissional Heloísa Antônio Ferreira que, para motivar novos adeptos e a turma da terceira idade, está montando um curso de ginástica e um concurso de dança.

A escola oferece aos sábados aulas de dança, forró, desenho, pingue-pongue, futsal e caratê, cinema e brinquedoteca. Aos domingos tem capoeira e balé.

Segundo a diretora Beatriz Garcia Sanchez, o projeto será implementado com uma verba de R$ 4 mil que foi enviada pelo governo estadual para a compra de materiais. Ela ressalta que o programa, além da integração, trouxe um maior controle na freqüência dos alunos que durante a semana já programam as atividades na escola.

“Confesso que no começo fiquei com medo de perder o controle, mas tudo está correndo na mais perfeita ordem e sem problemas. E olha que a escola fica com os portões abertos o tempo todo.”

Nos próximos dias, a escola deve ganhar uma nova fachada pois os garotos da oficina de desenho elaboraram um projeto de grafitagem para os muros do prédio, que inclusive ganhou a aprovação do deputado estadual Pedro Tobias, que na manhã de ontem visitou algumas escolas de Bauru.

Além do nome da escola, os garotos vão pintar palavras de estímulo como paz, atitude e harmonia para mobilizar que passar pelo locar.

O interessante é que neste grupo estão ex-alunos como o formando da 8ª série Thiago Pereira de Camargo, 16 anos e alunos de outras escolas como Lucas Queiroz, 15 anos que mora no Mary Dota e estuda na Mercedes Paz Bueno, no Higienópolis e Vinícius Santos, 15 anos, que é morador do bairro e estuda num colégio particular no centro da cidade.

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