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450 anos


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O país e o mundo assistiram, a partir do início do século passado, uma bela, tranqüila e pacata cidade localizada no alto da Serra do Mar paulista vertebrar um dos mais rápidos e pujantes processos de desenvolvimento de que se tem notícias na história moderna. A partir dos anos 30, São Paulo começaria a abandonar definitivamente as características que a marcaram desde sua fundação para mergulhar num crescimento acelerado que a faria despontar como o principal pólo econômico do país.

Exemplo para toda a Nação, São Paulo se expandiu de forma vertiginosa mas, devido à rapidez da explosão desenvolvimentista que a transformou de uma cidade com 130 mil habitantes em 1895, numa megalópole com 10,5 milhões de habitantes em 2000, deixou no caminho um rastro de mazelas e toda a ordem de problemas causado por seu crescimento espantoso e desordenado.

A mesma cidade que cresce vertiginosamente para o céu com seus edifícios modernos e vanguardistas, enfrenta hoje um imenso déficit habitacional atingindo mais de 1 milhão de pessoas. Como reflexo dessa situação, temos o aumento vertiginoso de cortiços e favelas, o crescimento desordenado de moradias sobre áreas de mananciais e uma parcela significativa da população sendo empurrada para as ruas ou sob os viadutos.

Parafraseando o visionário ex-prefeito de São Paulo Figueiredo Ferraz, “São Paulo precisa parar”. Responsável por ter dado à cidade, na década de 70, o novo Plano Diretor, a Lei de Áreas Verdes, a Lei de Zoneamento, a Prodam, a Emurb, um plano de vias expressas, entre outras conquistas, talvez tenha partido de Figueiredo Ferraz o primeiro grande puxão de orelha nas gerações vindouras: se não aliarmos desenvolvimento econômico e crescimento sustentável, corremos o risco de comprometermos o futuro de nossa querida cidade e detodos os que aqui residem. Trinta anos depois, essa advertência toma uma dimensão ainda maior.

É preciso parar. Parar para repensar o que será de São Paulo nas próximas décadas. Parar para buscar as soluções urgentes e necessárias para o caos urbano que vivemos. Parar para refletir sobre em que cidade seus milhões e milhões de habitantes querem viver. Parar para decidir por quais trilhos de São Paulo queremos ver nossos filhos e netos caminhando no futuro.

O autor, Arnaldo Jardim, é deputado estadual e líder da bancada do PPS.

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