Política

Vereadores definem tática eleitoral

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Gastar sola de sapato, ter muita disposição física e literalmente esbanjar os verbos, mas de maneira elegante e bem conjugada. Os ingredientes compõem a receita que pode resultar na reeleição de um vereador em outubro. Junte-se a isso uma pitada de criatividade, que pode fazer a diferença no mundo da mesmice que invade, em todas as eleições, a casa da sofrida massa do eleitorado.

Cada um dos 21 vereadores que hoje ocupam uma cadeira na Câmara Municipal tem sua receita própria para convencer o eleitor de que merece mais uma chance no Poder Legislativo. Ainda faltando oito meses para as urnas eletrônicas serem novamente tocadas pelos eleitores, os parlamentares não perdem tempo. O assédio ganha outra conotação e não escolhe vítima.

Alguns de maneira discreta e outros mais espalhafatosos se antecipam ao período oficial de campanha eleitoral para sair à frente de uma corrida na qual sairá vencedor aquele que tiver poder de convencimento e uma boa folha de serviço prestada à comunidade. Os locais para o ataque são os mais variados: supermercados, feiras livres, shows, praças públicas e o tradicional Calçadão da Batista.

Temporada

“Só tiro o pé do chão depois que o juiz abrir oficialmente a campanha”, desconversa o vereador Leandro dos Santos Martins (PP), veterano de dois mandatos. O parlamentar não é adepto de antecipar o corpo-a-corpo antes do prazo legal.

“Quem começa a campanha agora corre o risco de ser esquecido. Ainda não há número. Não se pode distribuir santinho porque é proibido”, reforça.

Ele, que já foi toureiro de circo na pacata cidade de Rinópolis - região de Tupã -, ensina que o segredo de uma boa campanha está na simplicidade. “Não gasto nada. Só distribuo o santinho que o partido me entrega. O resto, é visita, muita conversa. É fé em Deus e pé na tábua”, complementa.

Mas os recursos tecnológicos responsáveis pela globalização também estão ao alcance do mundo político. A Internet, por exemplo, está na mira do vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL).

O pefelista pretende usar a rede mundial para atingir seu eleitorado. Antes, porém, inicia seus contatos no bocal de um telefone. “Faço contatos com os amigos por telefone. Agendo reuniões familiares. Nas últimas semanas, tenho conversado com uma média de dez a 12 pessoas por dia para marcar encontros familiares e entre amigos”, admite.

Vereador de primeira viagem, Paulo Eduardo garante que não está preocupado com o desgaste da Câmara nos últimos dois anos. No ano passado, o plenário, da qual ele faz parte, cassou dois colegas e obrigou outros dois a renunciarem ao mandato por denúncias de irregularidades.

“Na minha opinião, o povo já definiu quem é quem na Câmara. Sou reconhecido por ser um vereador tranqüilo, que não faz crítica só pela crítica”, autodefine-se.

Enquanto o pefelista espelha-se no mar da tranqüilidade para mostrar sua capacidade de atuação, o vereador Faria Neto (PDT) busca na família e na igreja a viga-mestra para conduzir sua campanha eleitoral.

“Levo nas reuniões que faço com os amigos, minha esposa e minha filha”, diz, complementando que foi eleito, em 2000, pela comunidade católica da Igreja Santa Rita de Cássia.

Político matuto - já foi prefeito de Avaí e vereador em Bauru por dois mandatos -, o pedetista dá a sua receita para uma boa campanha: “Muita conversa para mostrar o seu passado, não badalar o prefeito e fé em Nossa Senhora Aparecida, de quem sou devoto.”

Na defesa da preservação ambiental, seu mote preferido, o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) pretende manter - caso dispute a reeleição - o corpo-a-corpo como forma de atingir o eleitor de maneira direta, sem rodeios.

“A conversa é o melhor caminho para mostrar o trabalho que foi desenvolvido”, comenta. Na avaliação do peemedebista, os candidatos vão ter que se desdobrar para conquistarem os eleitores.

“Bauru é uma cidade extremamente politizada. A população acompanha de perto tudo que se passa no meio político. Temos um desafio pela frente: mostrar para a sociedade a nossa imagem de homem público.”

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