Política

'Campanha é do tempo de Jesus Cristo'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da União dos Vereadores do Estado de São Paulo (Uvesp), Sebastião Misiara, diz que a campanha de vereador segue uma tradição mantida há muitas décadas. “Não tem jeito: campanha de vereador é sola de sapato. É do tempo de Jesus Cristo.”

Misiara foi vereador por cinco mandatos em Barretos/SP. A entidade da qual é presidente abriga 8.029 parlamentares de todos os municípios do Estado, dos quais 827 são mulheres. “Diferente do prefeito, o candidato à Câmara tem de ir de casa em casa”, reforça, traçando um paralelo com a trajetória de peregrinação de Jesus Cristo.

“É lógico que, além de gastar muita sola de sapato, o candidato a vereador tem de ter projeto, tem de ter um trabalho comunitário desenvolvido”, complementa.

Enraizado numa cultura política que o atrela, na maioria dos casos, ao Poder Executivo, fazendo-o refém do prefeito, o vereador tem como dever constitucional fiscalizar e legislar.

Mas para o presidente da Uvesp, esse perfil de parlamentar atrelado está mudando. “A partir do instante que a Uvesp assumiu a decidida ação de realizar seminários, levamos aos vereadores a informação exata do seu papel.”

Misiara explica que o parlamentar hoje deve ter consciência de que pode contribuir na composição do orçamento do município e no plano plurianual de investimentos. “O vereador atrelado ao Poder Executivo é aquele que acha que é assessor do prefeito. Muitas vezes até é atrelado por desconhecimento”, ameniza.

Na avaliação dele, o parlamentar municipal não pode se fechar somente no mundo de sua cidade.

“É preciso fazer uma política global. Ele precisa ter conhecimento sobre política nacional; saber que as questões deve se adequar às decisões nacionais e estaduais. Uma reivindicação de cidade hoje deixou de ser prioritária para abrir espaço para uma reivindicação regional. É preciso pensar muito mais de forma regionalizada do que de forma local.”

A gastança na campanha eleitoral também é outro assunto comentado por Misiara. “Os que gastam é porque não têm trabalho prestado. Aqueles que são eleitos sem gasto, é porque têm trabalho anteriormente prestado. representam segmentos. Têm história”, avalia.

Ele defende uma reforma política para pôr fim à cultura de que o dinheiro é o principal requisito para uma eleição. “Às vezes, quem compra o voto também está ofendendo ao eleitor. E o eleitor vai saber que não deve nenhum favor.”

Redução de cadeiras

A polêmica que aflige milhares de vereadores de todo o País em torno da redução do número de cadeiras no Poder Legislativo é comentado com desprendimento pelo presidente da Uvesp.

“Esse é um assunto muito importante. Existem câmaras que extrapolaram o número de vereadores. A classe tem que ter o bom senso de que o número tem que ser compatível com a população e o com os eleitores residentes na cidade”, argumenta.

Ele exemplifica que há municípios com oito mil habitantes com 11 e até mesmo 13 parlamentares no Poder Legislativo. “É um absurdo. Uma cidade com 10 mil habitantes tem que ter sete vereadores. Os promotores, que defendem a redução dos números de cadeiras, são os guardiões da sociedade e estão abrindo ações contra esse abuso. E a pior coisa para um político é quando ele tem uma ação contra ele, porque terá de explicar”, analisa.

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