Turismo

Sampa

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Há décadas São Paulo não presenciava tamanha movimentação por conta de seu aniversário. Também não é para menos. No domingo, a terra que serviu de abrigo para tantos imigrantes vai completar 450 anos. Quatro séculos e meio de muita história que a tornaram a maior cidade da América do Sul, refúgio de mais de 10 milhões de pessoas.

Quem a vê hoje, imensa, imponente, pode até esquecer como tudo começou. Timidamente, a então São Paulo de Piratininga (São Paulo dos padres jesuítas e Piratininga, dos índios) foi batizada na manhã de 25 de janeiro de 1554, em missa celebrada pelo padre Manoel da Nóbrega, que oficializava a fundação de um colégio jesuíta dedicado à catequese dos indígenas tupiniquins.

O pátio continua ali, a igrejinha idem, mas São Paulo, que tinha tudo para não dar certo - o lugar era distante do porto de Santos e de difícil acesso devido a “muralha” que separava o litoral do planalto -, deu seu grito de independência e se tornou o ponto de convergência do progresso.

Progresso conseguido através de seu bravo povo, fruto da miscigenação de tantas raças.

Andando-se pelos vários bairros paulistanos, as visões, os sotaques, os cheiros e as feições vão se modificando.

A São Paulo italiana, por exemplo, está concentrada no Bixiga, no Brás e na Mooca; a japonesa, na Liberdade; a judaica, em Higienópolis e no Bom Retiro, e a alemã, no Brooklin e Alto da Boa Vista. A esses povos somaram-se milhões de pessoas vindas de todos os Estados do Nordeste brasileiro, que a tornaram ainda mais especial. Concentraram-se no Brás e em Santo Amaro (Largo Treze de Maio), fazendo a alegria dos paulistanos em noites embaladas ao som e ritmo do xote, baião e do xaxado.

Quem quer remexer o quadril e comer tapiocas e baião-de-dois, não deve deixar de visitar o Centro de Tradições Nordestinas (rua Jacofer, 615, Limão, telefone (11) 3342-2104) e algumas casas noturnas como o Canto da Ema (avenida Brigadeiro Faria Lima, 364, Pinheiros, telefone (11) 3813-4708.

Depois de tantos anos de descaso, está dando gosto andar novamente pelo Centro de São Paulo. Muitos prédios estão sendo restaurados e até a Prefeitura Municipal foi transferida para o antigo prédio do “Banespinha”, no Vale do Anhangabaú.

Outro exemplo de preocupação com a história da cidade é a remodelação do antigo casarão da família de Santos Dumond, que por pelo menos dez anos foi cortiço.

Em breve pode se transformar num exemplo de como é possível salvar o patrimônio arquitetônico da cidade.

Localizado na esquina das alamedas Nothmann e Cleveland, nos Campos Elíseos, região central da Capital paulista, ele é conhecido como a Casa de Santos Dumont e deve, até o fim deste ano, ser restaurado pela Fundação Patrimônio Histórico de Energia de São Paulo. A idéia é criar ali o Museu da Energia de São Paulo.

Segundo historiadores, a casa de Santos Dumont pertenceu na verdade à família do pai da aviação, mas é provável que ele a tenha freqüentado. Foi construída em 1887 pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo e, nos anos 20, se transformou no Colégio Stafford. Até hoje o “C” e o “S” de suas iniciais marcam a soleira de entrada da casa.

A restauração deve estar concluída até novembro deste ano.

A cidade também está se renovando na área de artes visuais: dia 21, a Prefeitura Municipal entrega remodelado o antigo prédio do Dops, no Largo General Osório, que passa a abrigar a Pinacoteca Estação e a Faap abre dia 25 seu Museu de Arte Brasileira no Edifício Lutétia, na Praça do Patriarca.

O novo espaço da Pinacoteca estará abrigando uma mostra com obras do artista mexicano José Clemente Orozco e o museu, três exposições.

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