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Para não 'arranhar' a marcha

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Trocar as marchas é algo tão natural para os motoristas que muitos chegam a esquecer que o câmbio e a embreagem, os componentes principais para executar tal atividade, precisam de manutenção periódica. Mas os cuidados com tais sistemas também estão diretamente ligados com o comportamento ao volante, pois alguns “vícios” colaboram para abreviar a vida útil destes equipamentos.

Uma das precauções básicas com o câmbio - seja ele manual ou automático - deve ser a lubrificação. A exemplo do motor, ele necessita de óleo para funcionar com eficiência. “Por isso, é fundamental verificar periodicamente o nível do fluido e respeitar os intervalos de troca recomendados pelo fabricante”, ressalta o engenheiro Luiz Cremonezi, diretor da unidade bauruense do Centro Tecnológico Mecânico (Cetem).

Desta forma, ler o manual do proprietário torna-se atitude mandatória. “Apesar de ter todas as informações necessárias, raramente ele é lido pelo dono do carro”, diz Cremonezi. Além desta consulta, é preciso fazer uma inspeção visual na viscosidade do óleo e checar se não há vazamentos.

A preocupação com o lubrificante deve ser ainda maior no caso de um veículo automático. “É porque este sistema opera diretamente com a pressão do óleo, que se estiver ruim prejudica seu funcionamento. Sendo assim, é recomendável analisá-lo a cada 60 mil quilômetros”, orienta Cremonezi.

Entretanto, acrescenta o engenheiro, o comportamento ao volante pode ser tão nocivo para o câmbio e a embreagem como um óleo que já passou da validade. “Há vários vícios à direção que comprometem a durabilidade destes equipamentos e forçam substituições antecipadas”, frisa o diretor do Cetem.

Um dos mais comuns é deixar o pé na embreagem com o carro em movimento. “É um hábito que só serve para uma coisa: causar desgaste desnecessário ao componente”, enfatiza Cremonezi.

Outra mania capaz de provocar igual problema é a de “segurar” o carro na embreagem, ou seja, quando o condutor, com a primeira marcha engatada, não utiliza o freio de estacionamento ou de pedal para que o veículo não se movimente. “É um dos piores vícios, pois irá superaquecê-la em uma situação que ela não é desenvolvida para atuar”, explica.

Nestes casos, é comum o motorista até sentir cheiro de queimado exalado de suas peças. “Não há nada de errado em deixar o carro embreado em um cruzamento, mas é imprescindível segurar o veículo no freio para poupar a embreagem”, salienta Cremonezi.

A mesma prudência deve ser tomada para fazer o automóvel movimentar-se. “Arrancadas são ótimas para desgatar desnecessariamente a embreagem e o câmbio, pois ambos não foram projetados para tal esforço”, ensina o engenheiro.

E, apesar de parecer lógico, até mesmo o seqüenciamento das marchas deve ser adequado. “Muitos condutores saem em segunda marcha não sei por qual razão. Só se for preguiça de ficar engatando, que pode custar caro após determinado período de repetições freqüentes”, diz.

Andar demasiadamente devagar em determinada marcha também prejudica o sistema. “Às vezes, o carro está dando até trancos e a pessoa não reduz ou aumenta e insiste em rodar assim. É um hábito que também ajuda a forçar o desgaste prematuro do componente”, lembra Cremonezi.

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Problemas

Problemas no câmbio ou na embreagem estão entre os de mais fácil identificação pelos donos de automóveis. Um dos sinais que algo não está bom são as tradicionais “arranhadas”. “Quando elas se repetem com freqüência, é indício de problema mecânico. Normalmente, as que apresentam mais problemas são a primeira e a segunda, em razão de serem as mais utilizadas”, afirma o engenheiro Luiz Cremonezi.

Apesar disso, ele ressalta que tal dano não se alastra para outros componentes, pois trata-se de sistemas independentes. “No entanto, se o motorista insistir em usar o equipamento desta forma, vai chegar um momento que ele não irá mais engatar ou o fará aos trancos e socos”, adverte.

Cremonezi sustenta ainda que eventuais barulhos no câmbio com o carro em movimento também são “pistas” de que a “saúde” do componente não está boa. “Pode ser alguma peça desgastada, como o rolamento, que se não for trocado pode soltar-se e moer o equipamento inteiro, exigindo sua substituição”, alerta o engenheiro.

Já as dificuldades para se trocar as marchas, conforme Cremonezi, são problemas mais simples. “Podem ser avarias resolvidas com pequenas regulagens, que nem chegam a exigir a desmontagem do câmbio”, salienta o engenheiro.

Os danos na embreagem também são fáceis de se constatar. Segundo o diretor do Centro Tecnológico Mecânico (Cetem), quando o veículo fica moroso ao sair em primeira marcha é indício de avaria no componente. “O condutor acelera e o carro demora a arrancar. Se isso ocorrer, é melhor correr ao mecânico para não ficar na rua e o custo do reparo não aumentar”, finaliza Cremonezi.

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