A Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) vendeu, através de leilão público, 18 locomotivas e 113 vagões já sucateados que estavam estacionados no Parque Triagem Paulista, no Jardim Guadalajara, em Bauru. A venda do material rendeu à empresa R$ 1,1 milhão, que vão para o caixa do Ministério do Transportes, segundo Darcy Bueno, assistente da RFFSA em Bauru.
Tanto as locomotivas quanto os vagões que eram usados na linha Bauru-Corumbá (MS), mas há anos estacionados no Parque Triagem, vinham sendo saqueados. Conforme o JC já havia noticiado, muitas peças fora retiradas por vândalos para serem vendidas em ferros-velho e praticamente toda a fiação de bronze foi furtada. “O pessoal retirou todo material nobre das locomotivas elétricas e de vagões: bronze e peças miúdas”, relata Bueno.
Ele lembra que no ano passado a RFFSA conseguiu recuperar 70 toneladas de sucata furtadas do Parque Triagem. “Tivemos inclusive de colocar segurança dia e noite. O leilão era para ser realizado em maio, mas acabou saindo em dezembro”, explica.
Os vagões são das décadas de 40 e 50 e hoje não podem mais transitar porque no lugar dos rolamentos usados atualmente, levam bronze, o que representa risco de incêndio, comenta Bueno. Cada locomotiva vendida, que funcionava a diesel, pesa 150 toneladas.
As empresas que compraram o material ferroviário - a Trufer Comércio de Sucatas adquiriu os vagões e o Grupo Gerdau, as locomotivas - já estão trabalhando em Bauru. Estão desmontando as peças para levá-las para suas sedes onde devem ser recicladas e transformadas em material para estrutura da construção civil, por exemplo.
O desmonte no Parque Triagem, aliás, está chamando a atenção de que passa pela via que liga o Mary Dota à avenida Nuno de Assis. Ontem, achando que se tratava de mais um furto à luz do dia, indignado, o jornalista Emerson Luiz Moretto Sandi entrou em contato com o JC para relatar que vagões estavam sendo desmontados com uso de maçarico.
A Rede Ferroviária Federal entrou em liqüidação no final de 1999, quando foi concluída a transferência do sistema ferroviário para o setor privado. As locomotivas e vagões leiloados estavam sob controle da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban), que os devolveu posteriormente à Rede, manobra permitida pelo contrato de concessão.
Roque Ferreira, presidente do Sindicato dos Ferroviários, aprova a venda das locomotivas e vagões sucateados. “Se o equipamento está inservível, a venda através de leilão público é uma prática comum. Até resolve um problema já que o patrimônio estava sendo depredado, furtado”, diz.
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Conservação em museu
Um das quatro locomotivas da Rede Ferroviária Federal que permanecerão estacionadas no Parque Triagem já está tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) e deve ser entregue ao Museu Ferroviário, conta Nilson Ghirardello, presidente do conselho.
Também deve ter o mesmo destino alguns vagões mais antigos e de maior valor histórico. “O Codepac tombou bens ferroviários para preservá-los. Há uma parceria com a Associação dos Amigos do Museu para levar a locomotiva e vagões tombados para o Museu Ferroviário”, conta.
Porém, a exposição pública dos trens ainda depende da instalação de um galpão anexo ao museu, já denominado de módulo 2. Atualmente, como está, o Museu Ferroviário não tem espaço físico para guardar peças grandes como locomotivas e vagões.
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