Cultura

Cancioneiro nacional

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Letras com forte influência do misticismo e da poesia de cordel, destacadas pela fusão de ritmos nordestinos, blues, rock e música oriental. Esse ecletismo define o estilo musical do cantor e compositor paraibano Zé Ramalho e pode ser conferido no show que o músico realiza hoje, a partir das 23h, na Cervejaria dos Monges, em Bauru.

A apresentação faz parte da turnê de divulgação do último CD do cantor, o duplo “Estação Brasil”. A seleção do disco - que também integra o repertório do show - reúne grandes clássicos da música brasileira, que vão de Lulu Santos (“Tempos Modernos”) a Villa-Lobos (“O Trenzinho Caipira”), passando ainda por Gonzaguinha (“O Que É O Que É”) e Renato Teixeira (“Romaria”).

Além dessas pérolas, no palco, Zé Ramalho promete relembrar canções que marcaram sua trajetória - entre elas “Avohai”, “Frevo Mulher”, “Chão de Giz” e “Admirável Gado Novo” - e sucessos de Raul Seixas, um dos seus ídolos.

“Estação Brasil” é o último disco da trilogia iniciada com “Antologia Acústica” (1997) e “Nação Nordestina” (2000) e foi lançado em maio de 2003 para comemorar os 25 anos da carreira de Zé Ramalho. Conhecido pela originalidade de suas letras - muitas de caráter social - desta vez, o compositor resolveu mostrar seu trabalho de intérprete.

Composto por 20 faixas de estilos diferenciados, o CD busca mostrar a diversidade musical que sempre esteve presente na obra de Zé Ramalho. Além das canções já citadas, a seleção inclui “Asa Branca” e “Cantiga do Sapo”, ambas de Jackson do Pandeiro e que ressaltam as raízes nordestinas do cantor.

Já a faixa “Bete Balanço”, de Barão Vermelho, reflete seu gosto pelo rock nacional, e “Mesmo Que Seja Eu”, de Erasmo Carlos, seu lado romântico. Em “Caçador de mim”, de Milton Nascimento, Zé Ramalho reforça sua relação com o Clube da Esquina. O pagode não ficou de fora e pode ser ouvido na faixa “Malandragem Dá Um Tempo”, de Bezerra da Silva.

Apesar de interpretar gravações de outros compositores, o cantor paraibano não deixou de ressaltar seu próprio estilo às canções de “Estação Brasil”. O destaque fica por conta das pitadas de forró e maracatu em “Águas de Março” (Tom Jobim) e o som do baião em “Meu Bem Querer” (Djavan).

Carreira

José Ramalho Neto nasceu em 1949 na cidade de Brejo da Cruz, Paraíba. Em 1971, cursou medicina, mas não chegou a concluir a faculdade, já que nessa época, percebeu que seu lado musical falava mais alto. Em 1975, participou do festival Abertura, em São Paulo, com a música “Vou Danado Pra Catende”, feita em parceria com Alceu Valença.

Em 1977, publicou o folheto de cordel “Apocalypse”, e no mesmo ano, participou do show Anima, organizado pelos poetas Abel Silva e Capinan, juntamente com Fagner, Jackson do Pandeiro e Moraes Moreira, no Rio de Janeiro. Em 1978, Zé Ramalho ganhou o troféu “Villa-Lobos - Melhores do Disco”, concedido pela Associação Brasileira de Produtores de Disco.

Nos anos seguintes participou de festivais e lançou diversos álbuns. Em 1981 publicou seu primeiro livro de textos e poesia “Carne de Pescoço”, posteriormente incluído na obra “Antologia Poética”, de Olga Savary.

Zé Ramalho foi premiado com os álbuns “A Peleja do Diabo com o Dono do Céu” (1980), “A Terceira Lâmina” (1981) e “Força Verde” (1982). Ao longo de 25 anos de trajetória, o cantor recebeu influências dos Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes. Além disso, se declarou fã de Bob Dylan, Beatles, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Raul Seixas (tema do álbum “Zé Ramalho Canta Raul Seixas”) e Rolling Stones.

Entre as parcerias, se destacam a gravação das três edições de “O Grande Encontro”, gravado em 1996 com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença.

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Principais discos

• “O Gosto da Criação” (2002)

• “Zé Ramalho Canta Raul Seixas” (2001)

• “O Grande Encontro 3” (2000)

• “Nação Nordestina” (2000)

• “Eu Sou Todos Nós” (1998)

• “Antologia Acústica” (1997)

• “O Grande Encontro 2” (1997)

• “O Grande Encontro” (1996)

• “Cidades e Lendas” (1996)

• “Frevoador” (1992)

• “Décimas de um Cantador” (1987)

• “Opus Visionário” (1986)

• “De Gosto, De Água e De Amigos” (1985)

• “Pra Não Dizer que Não Falei de Rock ou Por Aquelas que Foram Bem Amadas” (1984)

• “Orquídea Negra” (1983)

• “Força Verde” (1982)

• “A Terceira Lâmina” (1981)

• “A Peleja do Diabo com o Dono do Céu” (1979)

• “Zé Ramalho” (1978)

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