Outra iniciativa que em breve deve culminar na formalização de uma Organização Não-Governamental (ONG) é a de um grupo de artesãs da Vila Dutra.
Inicialmente, a idéia era montar uma cooperativa. Após quase um ano de trabalho num grupo informal, com venda de produtos artesanais confeccionados por cerca de 17 mulheres, elas optaram pela idéia da ONG.
“Para abrir uma cooperativa, precisaríamos de pelo menos 20 participantes. A gente não consegue. Tem pessoas que entram e saem e, ao todo, somos em 17 membros”, justifica Rosemary Lopes, coordenadora do grupo que deve levar o nome Artesãs do Subúrbio.
O grupo pretende aliar o trabalho artesanal (que envolve os aspectos cultural e financeiro) ao social. Um dos objetivo das artesãs é impulsionar o trabalho da Casa da Sopa, que distribui alimentos na Vila Dutra a famílias carentes.
Rosemary conta que o grupo já está familiarizado ao trabalho coletivo. No início, elas dependiam de doações de materiais. Hoje, já conseguem repô-los com o dinheiro da venda dos produtos confeccionados. Ela prevê que a organização estará legalmente constituída em fevereiro.
“É um grupo de pessoas trabalhando juntas pelo mesmo ideal. Por isso, eu acho que funciona. Eu acho que tem chance de dar certo desde que seja uma entidade muito organizada onde um possa confiar no outro”, avalia.
A coordenadora do grupo não acha difíceis os trâmites burocráticos. “É até uma coisa bastante fácil. Com o tempo, ela tem que ser formalizada para ser reconhecida e poder comprar e vender mercadoria”, afirma.
Ela espera que as principais dificuldades sejam internas. “O processo mais difícil é a cabeça da própria pessoa. A maioria são semi-analfabetos. É um processo um pouco lento. São pessoas que sempre foram comandadas. Ou foram empregadas domésticas, ou lavadeiras. E nunca tiveram que tomar iniciativas. Esses passos são demorados”, explica Rosemary.