Longe de desmerecer a necessidade alheia, sou avesso à prática daquela esmola prejudicial, que alimenta o ócio e revigora o descaso. Mas, ao que se vê, estamos atravessando uma fase que identifica o povo brasileiro como o mais “pidão” da história. Sem tetos, invadindo estabelecimentos privados, exigem ferozmente casas para morar; sem terras, invadindo fazendas produtivas, armam-se violentamente para exigir um pedaço de chão; presos e internos das Febem’s, matando trabalhadores servis, revoltam-se mortalmente para exigir benefícios de gente honesta; negros (felizmente alguns) exigem cotas em faculdades sob o auspicioso argumento de solução para a desigualdade social. Pedidos insensatos à parte, o problema maior é que tais gritos estão ecoando nos confins mentais de muitos administradores públicos, que vêem nisso uma excepcional plataforma social (eleitoral). O mote da hora é defender essa bandeira, ainda que em detrimento de um estudo mais lógico e racional dos benefícios concedidos. O próprio Lula tornou-se o “porta-voz” da pobreza, exigindo que os países ricos devam pagar as contas dos países pobres. Chegou ao cúmulo de idealizar uma “CPMF” para a fome mundial, como se não soubesse que a CPMF brasileira trata-se de um imposto instituído com uma finalidade e desvirtuado para outra. Será que ele imagina que essa desordem possa ser aceita nos países desenvolvidos? Na verdade, as reclamações que surgem do seio social até que são justas, mas não podem ser pagas apenas por quem produz. Quando isso acontece, o governo se livra de sua responsabilidade e, pior ainda, aqueles que querem ser beneficiados livram-se, da mesma forma, da responsabilidade que têm quando escolhem os maus governantes, os mesmos que lhes imputam a miséria social. E quem paga essa conta é aquele povo que trabalha e produz, ainda que cumprindo todas as suas obrigações fiscais e administrativas. Retirar recursos do desenvolvimento para custear o super-ministério das obras sociais será como alimentar o gado com ração no cocho, mas sem se preocupar com o crescimento do pasto; uma hora a ração acaba e não vai haver pasto para todo aquele gado que continua faminto. Dessa forma, não vejo com olhos de “justiça social” dar simplesmente por dar, sem exigir uma contrapartida de quem recebe. Mas, esse é o Brasil de Lula, o Brasil da política “robinwoddiana”. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)
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