Regional

Pressão alta lidera causas de mortes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Na cidade de Iacanga, a principal causa de morte entre os moradores na faixa etária acima de 60 anos é o Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido por derrame, provocado por pressão alta e o diabetes. As mortes acontecem pelos motivos já apontados: a suspensão por conta própria do tratamento, ressalta a coordenadora de saúde do município, Silvana Pultrini de Almeida.

Para evitar o abandono do tratamento, a prefeitura oferece, inclusive, o transporte, caso o paciente não compareça para o controle da enfermidade. “A ambulância vai buscar. Se o paciente está arredio, a assistente social faz uma visita e tenta demovê-lo da idéia de que o tratamento não resolve.”

Outra medida adotada pelo grupo multidisciplicar que pretende tirar o município do ranking negativo no item longevidade foi adotada há seis meses. “Os pacientes vinham buscar a receita. Nós só damos a receita após ele passar por uma entrevista com a enfermeira. Ela vai orientar esse paciente e fazer o controle e cálculo para saber se ele está ingerindo o medicamento de forma correta.”

Em Reginópolis, segundo a enfermeira chefe, o número de mortes é pequeno, mas cada uma delas representa muito no contexto total porque a população é pequena. “Temos uma população de cerca de 4.700 pessoas.”

A pequena Balbinos (73 quilômetros a Norte de Bauru) tem pouco mais de 1.300 habitantes e 30% com idade acima de 60 anos. A resistência aos tratamentos médicos fez com que essa população tivesse um desempenho negativo no período de 1997 a 2000 no item longevidade.

O coordenador de saúde da cidade, Marcelo Luizão, acredita que não é por falta de esforço do município que a situação chegou a esse ponto. “A maioria dos moradores nessa faixa etária morre do coração ou de derrame.”

O exercício físico e a alimentação saudável, segundo Luizão, deveriam ser itens indispensáveis para os idosos que querem fazer a prevenção. “No ano passado tentamos implantar um programa de exercícios físicos. No início vieram alguns, com o passar do tempo, nenhum.”

Este ano, a visita domiciliar da assistente social e enfermeira foi adotada. “Estamos tentando fazer com que eles mudem o hábito alimentar. A visita também vai servir para checar se eles estão seguindo a orientação médica.”

Segundo ele, os homens com idade acima de 60 anos são os mais resistentes aos tratamentos. “Eles fumam e bebem e não gostam de ir ao médico.” Em Balbinos também há clube da 3ª idade, onde são realizados os forrós.

Não vivem sozinhos

A preocupação e o respeito com que os moradores das pequenas cidades têm com as pessoas mais velhas é algo de saltar aos olhos de quem vive em grandes metrópoles. Enquanto nos grandes centros os filhos e parentes procuram se desvencilhar, o mais rápido possível, daqueles que não têm mais a força de trabalho a oferecer, nas pequenas cidades é quase uma regra os filhos passarem a morar com os pais ou vice-versa quando eles ficam viúvos ou adoecem.

Em Iacanga, o agricultor Onofre Otávio dos Santos, 78 anos, que há 34 anos ficou viúvo, mora com a filha. “Eu criei os 11 filhos. Um deles morreu. Agora, minha filha mora comigo e me auxilia nos afazeres da casa.”

Em Regionópolis, a dona de casa Lázara Camargo, 88 anos, mora há 18 anos com a filha Olinda. “É bom porque não fico sozinha’, diz.

Dormir e acordar cedo é um hábito entre os moradores de municípios menores. O aposentado Antônio Garsin, 75 anos, morador de Balbinos, diz que dorme, no máximo, às 2h. “Não consigo ficar acordado até mais tarde.”

Antes do galo cantar, ele pula da cama e vai para a cozinha tomar café. “Acordo de madrugada, sempre às 5h. Tomo café e fico fumando até o dia clarear.”

O sitiante aposentado, Lázaro Campos Penteado, 82 anos, morador de Arealva, conserva o costume do tempo em que trabalhava na roça. “Durmo por volta das 20h e acordo, no máximo, às 6 h.”

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