Saúde

Grupo técnico vai coordenar política nacional de sangue

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Paralelamente ao projeto de construção de uma fábrica de hemoderivados, o governo federal constituiu um grupo técnico para analisar e aprimorar as diretrizes da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados. A equipe é formada por representantes dos governos federal, estaduais e municipais, de universidades, dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e das entidades médicas.

Num primeiro momento, o grupo já sinalizou a importância de se promover campanhas constantes para incentivar a doação de sangue. “Ato fundamental para salvar vidas e garantir o plasma para a obtenção dos hemoderivados”, destaca a Agência Saúde.

Outra meta da equipe é fortalecer o sistema de vigilância à qualidade do sangue e hemoderivados. Para isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) capacitou 250 técnicos.

Segundo o ministério, o País tem quase 2,5 mil serviços de hemoterapia, dos quais 2 mil realizam transfusões. Ao todo, 500 coletam o material e 250 fazem triagem laboratorial para verificar a qualidade do produto. Cerca de 80% do sangue é coletado nas Capitais brasileiras.

Para a gerente-geral de sangue da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Beatriz MacDowell Soares, os serviços de hemoterapia precisam tornar-se multiplicadores, promovendo campanhas de incentivo à doação junto às comunidades locais.

“Temos que envolver o cidadão nesse processo para que o doador seja habitual e não esporádico, doando pelo menos duas vezes por ano”, defende a médica. Ela lembra que a demanda por doações varia muito conforme o perfil de cada cidade ou região e isso deve nortear as campanhas.

“Normalmente, grandes cidades, onde a violência é maior e onde se realizam procedimentos de alta complexidade como transplantes e cirurgias cardíacas exigem mais serviços de hemoterapia”, comenta.

A médica salienta que os índices de contaminação de sangue no Brasil são mínimos, pois os hemocentros são bastante rigorosos na coleta e avaliação do produto. Antes de doar, a pessoa é submetida a um questionário minucioso. Quem declara comportamento de risco é imediatamente descartado como doador. Todas as informações são sigilosas.

Se o doador preenche as condições exigidas, seu sangue é coletado e passa por uma série de testes para verificar se não apresenta qualquer doença transmissível. De acordo com a Agência Saúde, cerca de 8,5% do sangue doado no País é descartado nesse processo.

Soares lembra que não existe um método de checagem 100% seguro, pois muitas doenças apresentam a janela imunológica - período em que os vírus e bactérias não são detectados pelos exames. “Mesmo assim, o Brasil vem fazendo um esforço grande para qualificar suas centrais”, garante.

Outra prioridade colocada pelo grupo é o investimento em pesquisa, educação e capacitação dos profissionais. Para isso, estão previstas parcerias com universidades e a criação de linhas de financiamento.

O grupo propõe ainda a criação de um banco de dados nacional, integrado a uma “hemorrede”, no intuito de facilitar a identificação das necessidades reais dos municípios para atender suas populações. Segundo a assessoria da imprensa, no futuro, o sistema deve atingir todos os usuários do SUS.

“Atualmente, na maioria dos Estados, não existe um planejamento ascendente e participativo, que envolva os municípios. E é lá, nos municípios, que estão os doentes e os serviços de saúde”, assinala Soares.

“A política de sangue instituída no País é anterior ao SUS. Apesar dos avanços e da qualidade do sangue hoje, o desafio que se coloca é o de melhorar a assistência hemoterápica. Ou seja, definir as responsabilidades por essa assistência, envolvendo os gestores municipais, para que a política possa de fato servir ao SUS, que tem como um dos princípios a descentralização das ações”, encerra.

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