Tribuna do Leitor

Walter Costa


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Conheci Walter Costa em 1976 na Arena 3. Formávamos um grupo do qual faziam parte José Queda, Antálcidas Leite, Josino, Polido, Octavino Stilac e outros. Ele e o Queda foram os mais votados do grupo. O Queda era quieto. Trabalhava em silêncio. O Walter era extrovertido. Seu início de campanha surpreendeu a cidade. Ele arranjou 200 amigos que colocaram seus adesivos no carro. No decorrer da campanha organizou um bate-papo com mais de 100 pessoas. O Zé Martha comentava animado: Tinha mais gente que nos comícios! Numa reunião o Zé Martha queria saber os planos para o último dia da campanha. O Walter não deixou por menos: “Vou organizar uma passeata na Batista com mocinhas dando flores para o público”. Ele sempre pensava grande. Foi um dos talentos políticos de nossa cidade. Chegava a ser intempestivo. Avalizava empréstimos, endossava cheques para os amigos de uma forma que outros não fariam.

Muito quieto nas sessões, parecia-me ouvir o tique-taque de seu cérebro raciocinando politicamente o tempo todo. Oscar Niemayer fala que a arte é feita com imprevistos e imaginação. O Walter tinha isso de sobra. À frente do CDC criado pelo genial Edson Gasparini - que há 30 anos já lutava pelos direitos do consumidor, hoje matéria do Curso de Direito - o Walter ajudou milhares de pessoas. Foi na época do Plano Cruzado. Dirão alguns que ele era explosivo. Mas incontestavelmente era um grande líder popular. Seus murros na mesa e gritos mostram um temperamento que sofria com as injustiças. Seus eleitores o adoravam. Estava sempre a postos para os amigos. Consta que morreu magoado. Também Santos Dumont, Pasteur e outros grandes homens morreram magoados. (Ruy Celeste Bertoti - médico e ex-vereador - RG 1.008.388)

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