Foi-se o tempo em que a chegada do Carnaval estimulava o comércio de fantasias. Para não correr o risco de ficar sem o produto, muitas lojas faziam as encomendas meses antes do início da festa. Hoje, as compras são feitas quase que às vésperas do Carnaval e as vendas estão cada vez menores.
Paulo Henrique Soubhia, proprietário de uma loja de armarinhos no Centro da cidade, lembra que a procura por fantasias era tanta, há cerca de cinco anos, que era preciso reservar um bom espaço dentro da loja só para esses produtos.
Atualmente, a exposição se resume a algumas máscaras e perucas penduradas na porta da loja. Nada mais. As vendas de lantejoulas, metalóides, miçangas e pedrarias (acessórios das fantasias) também caíram, mas houve uma compensação devido ao aumento da procura desses itens para artesanato.
Segundo Soubhia, o investimento em fantasias de Carnaval caiu cerca de 70% nos últimos anos. Na opinião dele, vários foram os fatores que levaram a isso.
“Primeiro, foi o fim do Carnaval de rua e o enfraquecimento do de salão na cidade. Depois, foi a população que passou a gastar o mínimo possível para fazer uma fantasia”, relata.
De acordo com ele, o que ainda mantém as vendas num ritmo um pouco mais acelerado são os carnavais de rua nas cidades da região. Segundo Soubhia, a loja vende mais para as prefeituras vizinhas do que para os foliões bauruenses.
Na avaliação dele, este ano não deverá ser diferente. Ainda mais depois da prefeitura ter anunciado, pelo terceiro ano consecutivo, que não vai investir nos desfiles do Sambódromo.
Mas há quem ainda acredite num Carnaval melhor para este ano. Animado com o aumento das vendas no Natal, o comerciante Manoel Lopes Panunto, acredita que a folia será melhor do que a do ano passado.
Embora tenha registrado queda significativa nas vendas de fantasias nos anos anteriores, Panunto não perde a esperança de ver ressurgir com um pouco mais de vigor o espírito carnavalesco do bauruense.
Dono de uma loja de fantasias na quadra 1 do Calçadão da Batista de Carvalho, Panunto revelou que a população há muito deixou de gastar com o Carnaval.
Segundo ele, o que mais se vende atualmente são os acessórios das fantasias, como máscaras, perucas, colares havaianos, chifres e outros.
“As pessoas preferem comprar o tecido e fazer a própria roupa”, disse. “Além de ficar mais apropriado ao gosto do cliente, acaba saindo mais barato do que comprar uma fantasia pronta”, comparou Panunto.
Segundo ele, uma fantasia completa custa de R$ 40,00 a R$ 80,00. Se for feita em casa, pode sair pela metade do preço.
Entre os acessórios, a campeã de vendas é a máscara do “Pânico”. De acordo com o comerciante, todo mês, a loja vende de 80 a 100 unidades dessas máscaras. O preço de cada uma gira em torno de R$ 10,00.