Bairros

Fundo de vale é cercado e reflorestado

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

O Instituto Ambiental Vidágua já está instalando alambrado nas margens do córrego Barreirinho, que divide o Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e o Jardim Flórida. A cerca de arame é a primeira etapa do projeto para revitalizar o fundo de vale do córrego. A segunda, que deve começar na próxima semana, é o plantio de 34 mil mudas de árvores no local.

De acordo com o secretário executivo do Vidágua, Ivan De Marche, o projeto pretende recuperar as margens do córrego, atualmente degradadas, com o plantio e reestruturação da mata ciliar. “A mata ciliar tem a função de proteger o rio da erosão, dos entulhos e até de agrotóxicos utilizados por agricultores. Com a mata, o lixo e a terra não caem na água, evitando o assoreamento e o solapamento do leito do rio”, explica.

Marche esclarece que a cerca está sendo construída por conta de rebanhos de gado que costumam pastar nas margens do Barreirinho. “Precisamos impedir que o gado entre e coma as mudinhas novas que vamos plantar. Como esta é uma área urbana e pública, estamos deixando alguns locais de passagem para a população, até para que a cerca não seja destruída”, diz.

O Vidágua planeja o plantio de cerca de 34 mil mudas na área de 20 hectares, exclusivamente de espécies nativas da região, como peroba, tiburi, aroeira vermelha e jatobá. Antes, eles devem adubar o solo e matar as formigas do local.

Segundo Marche, o córrego Barreirinho foi priorizado na iniciativa porque na época da elaboração do projeto, em 1999, ele ainda não recebia esgoto. A construção do Núcleo Bauru 2000 acabou provocando um processo erosivo que rompeu os interceptores de esgoto instalados em suas margens.

“O Barreirinho é o primeiro afluente do rio Bauru que tem interceptores de esgoto, que não cai no córrego, pelo menos até este ponto. Então começamos o projeto aqui, onde ainda existem fragmentos da vegetação original, e depois vamos para a nascente, onde a prefeitura está tentando estancar uma erosão”, relata.

A entidade vai receber R$ 40 mil do Fundo Estadual dos Recursos Hídricos (Fehidro) para o projeto, que tem como parceiros a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e a Sociedade Amigos para a Cidadania e Meio Ambiente de Bauru, organização não-governamental (ONG) que reúne representantes de vários bairros da cidade.

O diretor de cidadania da ONG, Waldir Caso, afirma que a entidade já possuía um projeto de recuperação das margens do Barreirinho e agora, na parceria com o Vidágua, quer envolver os moradores dos bairros da região no plantio e nos cuidados com o local.

“Vamos tentar orientar e trazer a população e os alunos das escolas da região para cuidarem desta área. Afinal, nossa idéia é que o local se torne um bosque para a comunidade, um local de lazer para os moradores. Se a comunidade assumir e tomar posse, o projeto pode vingar”, declara Caso.

Alguns moradores do Bauru 2000 mostraram-se felizes com a iniciativa e com a possibilidade do bairro ganhar um parque, no futuro. A dona de casa Dirce dos Santos aponta que as crianças ainda não tem um local seguro para brincar e um bosque próximo à sua casa seria um lugar seguro e ideal para isto.

“Se o projeto der certo, se arrumarem tudo direitinho, vamos ter um lugar bonito perto de casa. Mas acho que todo mundo tem que ajudar e preservar. Tem que ser bem-feito, senão o pessoal não respeita”, opina.

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Moradores apontam desafios do projeto

O mecânico Gerson Quintino Lopes elogia a iniciativa de recuperação do fundo do vale do córrego Barreirinho, mas pensa que poucos moradores vão ajudar a cuidar do local. “Pode até ser que alguns participem, mas não são todos. E a gente precisa, porque o córrego está cada vez pior, só um reguinho d’água. Se todo mundo cuidar, aí sim vai funcionar e vai para a frente”, entusiasma-se.

No entanto, ele alerta que a cerca que vem sendo construída pode não durar muito tempo. “O pessoal vai roubar. Tem gente ruim que não quer saber de cuidar de nada”, acusa. No sábado, alguns palanques da cerca já foram furtados.

“Fomos em busca do financiamento e é dinheiro público que está sendo investido aqui. As pessoas têm que entender que isto é para o bem da cidade”, ressalta Marche.

Na opinião de Waldir Caso, diretor de cidadania da Sociedade Amigos para a Cidadania e Meio Ambiente de Bauru, os moradores têm se conscientizar que a recuperação das margens do Barreirinho e o planejamento de um futuro bosque no local só tende a beneficiar quem mora nos bairros adjacentes. “Além de um local de lazer, um parque aqui vai até valorizar as casas, que não vão mais estar perto do mato, e sim do bosque da comunidade”, enfatiza.

No fundo do vale há ainda alguns barracos do que já foi uma favela. O Vidágua e a Sociedade Amigos para a Cidadania planejam incluir estes moradores nos cuidados com a mata ciliar, enquanto eles não conseguem sua mudança para outra região da cidade. Nenhum morador do local foi encontrado para comentar a iniciativa.

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