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Águas também castigam


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Castigadas por prolongadas secas, as populações de alguns Estados nordestinos viram-se arrastadas a contínuas e fervorosas orações. Dirigiam-se a todos os santos dos céus rogando-lhes canalizassem chuvas suficientes para minimizar o calor de suas regiões e umedecer a secura das suas terras. Aspiravam, igualmente, condições para plantar sementeiras e colher cereais e frutos para sua alimentação, amortecendo um pouco a sua fome e demais necessidades físicas. E as nuvens, escondidas na escuridão da estratosfera, ouviram certamente seus lancinantes clamores e, no final de dezembro e início deste janeiro, endereçaram-lhes o que vinham armazenando em seus amplíssimos depósitos. Fizeram-no, contudo, como que desmedidamente nervosas, intolerantes, pois que, ao invés de somente molhar aquelas áreas, inundaram-nas selvagemente, fazendo com que transbordassem, sem dó nem piedade. Córregos e rios invadissem estradas, ruas e moradias, e indo ao desplante de causar mortes.

Diga-se, então, que foram além do que lhes fora pedido, caracterizando como vítimas os povos que não esperavam respostas tão agressivas da natureza, aparentemente sempre cordata e pacífica, incapaz de molestar ninguém e até mesmo sorrir para todos.

As notícias sobre o que esteve ocorrendo, nos períodos citados, no Sergipe, Alagoas, Piauí e circunvizinhanças indefesas foram realmente impressionantes, com repercussões de tristezas na opinião pública de todo o País, acrescidas das referentes a tempestades ocorridas e que ainda estão ocorrendo em outros Estados. Conclui-se, então, que os tradicionalmente bondosos e cordatos nortistas, que suplicavam por chuvas construtivas, nada além do necessário, acabaram tendo que fazê-lo pelo final do flagelo, num paradoxo realmente contrastante e uma demonstração flagrante de ansiedade pela volta do rotineiro, admitindo serem menos causticantes os raios solares que as projeções de águas tempestuosas, nevrálgicas e destruidoras, dias e noites consecutivos. Chega de água, fechem-se um pouco as torneiras e abram-se as cortinas do sol. “O Senhor já ouviu as nossas súplicas? O Senhor aceitará as nossas orações?” - devem aqueles brasileiros estar dizendo, invocando os Salmos 6.9. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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