Regional

Leishmaniose mata criança em Guarantã

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Guarantã - Uma criança de 8 anos morreu sábado passado vítima de leishmaniose visceral, em Guarantã (78 quilômetros a Noroeste de Bauru). Há forte suspeita de que uma outra criança, ainda mais nova, esteja com a mesma doença no município. A informação foi passada pela Secretaria Municipal de Saúde de Guarantã e confirmada pela Diretoria Regional de Saúde (DIR-14) de Marília.

A notícia deixou a cidade em estado de alerta e mobilizou equipes da prefeitura e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) no combate ao mosquito transmissor da doença.

A criança estava internada na Santa Casa de Marília, onde passou os últimos dois meses. Antes, fez tratamento em um hospital de São Paulo, onde a doença foi descoberta, há cerca de três meses.

Desde então, a prefeitura e a Sucen passaram a coletar sangue de cães que vivem num raio de 200 metros da residência onde morava a criança.

As amostras, cerca de 100, foram encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, mas até ontem os resultados ainda não estavam prontos.

A Sucen coletou também alguns mosquitos transmissores da doença e enviou-os para o instituto a fim de saber se estavam contaminados.

De acordo com o secretário de saúde de Guarantã, José Luiz Calderari, o antigo matadouro da cidade está sendo reformado para servir de local para o sacrifício de animais doentes, caso os resultados sejam positivos.

Em humanos, a leishmaniose tem cura se diagnosticada no início da contaminação. Mas, nos animais, a doença geralmente é fatal. No Brasil, os principais “hospedeiros” da doença são o cão e a raposa.

A transmissão acontece quando o mosquito “palha” ou “birigui” pica o animal contaminado e depois o homem. Pode demorar de dez dias a 24 meses para a doença se manifestar. Em geral, isso acontece do segundo ao quarto mês após a contaminação.

Em 2003, esse foi o único caso de leishmaniose visceral registrado nos 36 municípios que pertencem à DIR-14 de Marília. Este ano, nenhum caso foi notificado. Em Guarantã, cidade de aproximadamente 7 mil habitantes, é a primeira vez que a doença é diagnosticada, segundo informou Calderari.

Segundo caso

Embora a DIR ainda não tenha feito nenhum comunicado oficial, é tido como praticamente certo um segundo caso na cidade.

O secretário de saúde não informou o nome da criança, mas disse que ela está internada na Santa Casa de Marília e apresenta os sintomas da doença.

Este segundo paciente, uma menina de 1 ano e 6 meses, reside a cerca de um quilômetro da casa onde morava a criança de 8 anos que morreu no sábado.

Nas 39 cidades que pertencem à DIR-10 de Bauru, foram registrados 14 casos em 2003 e nenhum este ano. Do total do ano passado, 11 foram registrados em Bauru.

Na DIR-11 de Botucatu, que compreende 30 cidades, não houve registro de leishmaniose em 2003 e nem em 2002, segundo informou a Secretaria de Estado da Saúde.

A leishmaniose visceral é transmitida pelo mosquito Lutzomia longipalpis, que se alimenta de sangue humano ou animal, inclusive para o desenvolvimento de seus ovos.

Embora a doença atinja pessoas de todas as idades e sexo, a incidência é maior em crianças. A transmissão não é feita de pessoa para pessoa.

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